Eu não deveria ter começado um blog. Não deveria pois de poética tenho mais do que deveria, mas nada que saia da minha mente, e, quando penso em passar para o papel, me vem certa angústia. Um certo desconforto aparece como que se as pessoas fossem, através do que eu escrevo, descobrir quem sou, o que quero, o que pretendo. Entretanto, a idealização de que escrevemos aquilo que somos, ou de que temos total controle das palavras é falsa: a escrita segue seu próprio caminho, e, quando notamos, ela já saiu de nós, já criou vida própria e pode sofrer infinitas interpretações que independem de nós. Quem lê tira suas próprias conclusões, e, a partir de então, faz sua própria leitura, onde guarda, mesmo que inconscientemente, seus anseios, devaneios, fetiches, "enlaçando" tudo a sua história [única] de vida e suas leituras anteriores. A leitura se torna, então, única.
Por que, então, escrever? Relutei muito comigo mesma pra chegar à conclusão de que um blog como esse, ou seja, um blog como uma escrita de si tem muito a me acrescentar e a te acrescentar também. O leitor muda toda vez que lê, e o texto muda o leitor que por sua vez mudará o texto e a sua interpretação. O escritor ao tentar "domar" as palavras também muda, e, a cada frase escrita ou apagada, muda então seu pensamento e sua própria reflexão.
Venho por meio deste blog, portanto, tentar, principalmente, me tranformar. Espero poder ler este post e a cada vez sentir que estas não eram as palavras que deveriam ter sido. E é isso que vai movimentar o meu ser e a minha escrita a persisitirem por aqui.
Espero que cada post daqui transforme vocês também.
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