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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

corujas

Todos os dias em que eu passava pela rodovia SP 215, sentido Descalvado/Porto Ferreira, eu via uma linda corujinha, dessas buraqueiras, sentada na placa que indicava a direção de Porto. Impreterivelmente, às 6h40 da manhã, ela estava lá, admirando o nascer do sol e a vista montanhosa e verdejante. De certa forma, os dias ficavam mais aconchegantes com a presença da coruja, pois, assim como eu, ela tinha o  destino de estar no mesmo lugar e horário todos os dias. Nós pertencíamos a uma mesma lógica, e nos conectávamos.
Certo momento, minha vida mudou. Meu coração se encheu de alegria por ter esbarrado no amor e na parceria. Nesse momento, outra corujinha começou a aparecer e, juntas, elas formavam um par de corujas na placa. Ela não estava mais sozinha, estava agora acompanhada e talvez sua rotina estivesse menos solitária. Todos os dias, às 6h40, lá estavam as duas corujas sentadas olhando para o horizonte. Foram quase três meses em que, todos os dias, eu falava bom dia às corujas queridas, e meu coração também comemorava.
Até que, certo dia, minha parceria terminou. Parece ficção, eu sei, mas uma das corujas simplesmente não estava mais ali. Só havia uma, novamente. Pensei que ainda estivéssemos conectadas nisso de destino, não era possível. Admirava a corujinha que ainda permanecia firme e forte ali, todas as manhãs, talvez para proteger seu ninho, o qual eu não tinha percebido, ou simplesmente para seguir o fluxo da vida natural. E assim ela esteve.
Certo dia de agosto, a segunda corujinha reapareceu. Ela estava, dessa vez, sentada em uma placa do outro lado da rodovia. E a corujinha da placa de Porto Ferreira permanecia ali, ainda. As duas corujas se entreolhavam distantes, talvez fosse algum tipo de despedida de corujas, não sei. Foi aí que me lembrei: aquele era o dia em que ele se mudaria para Portugal. Para outro lado do mundo, além do oceano. Meu coração estremeceu, eu senti saudade, como se também tivesse me conectado a ele pelo pensamento. Acredito nisso de conexão por pensamento, que fisga os sentimentos do coração. Mais uma vez totalmente me identificava com as corujas. Estávamos mesmo conectadas. 
A partir desse dia, nunca mais vi a segunda coruja. Assim como eu, a única coruja seguia por lá todos os dias, ainda. Até que eu também parei de estar ali. Não sei se ela ainda se encontra por lá, talvez tenha voado pra longe, também. 

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Com COVID mas cantando

when the moon is in the seventh house 
and Jupiter aligns with Mars 
then peace will guide our planets 
and love will steer the stars

sábado, 1 de março de 2014

Solidificada

A solidão sempre esteve presente nos momentos em que me pegava distraída. De início não gostava e achava que sua existência era algo ruim. Incomodava-me também com sua maneira arrogante e decidida de se aproximar, quase que impondo seus modos sobre os meus. Mas aprendi a aceitar e há tempos nosso relacionamento se tornou até que confortável. Ela costuma bater na porta sem avisar previamente que viria, entra algumas vezes sem minha permissão e fica eternamente nas salas do meu consciente, quase que tomando conta dos meus desejos mais profundos e anseios emocionais. Chega a ser irritante, mas com o tempo me acostumei bem.
Recentemente ela se afastou de mim e admito que senti falta de sua presença marcante, não sabendo o que fazer para substituía-la. Quando me vi com ele, ela, enciumada, se escondeu no mais profundo do meu corredor do consciente, quase na ala do imperceptível. Me esqueci dela por um tempo, por horas, dias e até mesmo meses.
Há duas semanas ela voltou, bateu novamente à minha porta, encabulada e cabisbaixa, perguntando se podia entrar. Eu relutei dessa vez, afinal, que tipo de relacionamento é esse que, depois de tanto tempo presente, decide sumir e voltar quase que sem explicações, satisfações ou então um arrependimento. Mas abri as portas mais uma vez. Ela entrou, sentou no
sofá e debochou da minha cara, dizendo que sempre esteve à espreita para voltar a me conquistar e disse que já sabia que conseguiria. Convencida.
Arrependi-me mesmo por algumas horas por tê-la deixado entrar, mas agora me (re)acostumei com sua irritante presença.
Bem-vinda de volta, solidão.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

o homem mais triste

Você, entre todos os homens os quais me aproximei, é o mais triste de todos. 

Encara a vida difícil que tem como algo muito simples. "Todos dizem que minha vida é trágica", me disse logo no primeiro encontro. Estranhei, afinal, quem lida com a tristeza de forma tão tranquila e direta a uma desconhecida? Ele conta os tão terríveis causos como se contasse sua rotina. A tristeza é parte de sua rotina, não a estranha nem questiona. 
"Não sei se consigo escrever assim como você", disse sobre meus contos. Ele, que tanto gosta de histórias e literatura, não consegue transformar em uma narrativa coerente o que se passa em sua cabeça. "Você não conseguiria dar coesão nem coerência a um texto, não é?", perguntei a ele. "Isso mesmo". A minha teoria estava certa...
Gosta de mostrar os livros que havia comprado, gosta de contar algumas coisas que havia lido. Isso eu gostava nele...
Gaba-se quando se vê como louco; ele não só não esconde a loucura como faz questão de mostrá-la a todos. Orgulha-se em ser louco, em vestir essa máscara. Não pensa nas consequências de sua loucura, tampouco sabe lidar com o que se passa em sua cabeça. Ele é um louco que jamais procurará ser menos louco. Afinal, ser louco é tudo que ele tem, é tudo que ele é. Se ele perder isso, quem passará a ser?
Entre os momentos que vivi ao seu lado, o seu passado é tão vivo que aparece a cada minuto de conversa com ele. "Eu quase morri várias vezes", ele disse. "Pois então, você é praticamente um super-homem", eu brincava, querendo trazê-lo ao presente. Mas ele não consegue permanecer no presente por muito tempo; sua memória triste é tão viva, senão mais viva que qualquer acontecimento feliz (ou atual) de sua vida. Triste.
Consegui trazê-lo ao presente por alguns dias, talvez. Os dias os quais ele disse que não parou de pensar em mim; os quais a gente riu e fez piadas juntos. Os quais me senti gostando de um moço triste que havia, pela única vez, mostrado um lado o qual não esparava nem conhecia. Mas não durou por muito tempo. A tristeza venceu mais uma vez e voltou a contar histórias do seu passado sombrio. Uma vida difícil. 
Mas nada é mais difícil do que sucumbir à tristeza e à memória dessa forma. Você é o homem mais triste que eu já beijei.  


domingo, 25 de agosto de 2013

Não poderia deixar passar

São 5 a.m., acabo de voltar de uma casa noturna na minha cidade. O lugar foi inaugurado recentemente, mas o que se observa ali já é de anos.
São pessoas preocupadas em arranjar alguém para passar a noite, em beber para esquecer, em se divertir para se libertar.
O clima parece de diversão, mas não se engane: é possível visualizar em cada rosto algum tipo de angústia tremenda. A diversão também nos parece momentânea; após o efeito do shot de tequila o desânimo aparece como a ressaca do dia seguinte.
O não ficar com alguém é algo comprometedor ao sucesso da noite. Mas o ficar também se torna algo vazio; afinal, é só por aquele momento e nada mais.
As músicas, já tocadas há anos, soam agora repetitivas, como se os ouvidos estivessem cansados de apreciá-las. Mesmo a cerveja, que é bem servida, é de difícil digestão.
A noite se torna ilusão e desapontamento.

Chego em casa e tomo um chá, a fim de terminar bem a noite desgastada...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vida americana

Como todos (não) sabem, estou vivendo um período da minha vida no Tennessee (EUA) e achei interessante fazer como o Olivier (http://olivierdobrasil.blogspot.com.br/2013/04/curiosidades-brasileiras.html#comment-form) e listar algumas observações que tenho feito por aqui. Faz só três meses que estou aqui, mas já deu pra notar muita coisa. Aqui vão algumas:

- Os EUA é um país muito grande e com culturas diferentes, assim como o Brasil;
- O Tennessee está dentro do "Bible belt" (expressão que ouvi de estrangeiros que vivem aqui), o que siginifica que é um estado muito ligado à religião e muito conservador;
- Você percebe descaramente a segregação de negros e brancos, diferentemente do Brasil. Eles quase nunca se misturam e tem uma cultura e língua diferente, tanto é que tenho difiiculdade em entendê-los. 
- Os americanos em geral são muito prestativos e simpáticos, principalmente quando se trata de prestação de serviço. Se você precisar de algo, eles estarão lá, assumirão as responsabilidades e resolverão o seu problema. O que eu acho fantástico e é uma pena que não seja assim no Brasil.
- Aqui em Memphis, se você falar que você bebe cerveja ou gosta de beber, as pessoas vão te olhar com um certo preconceito. A bebida aqui é vista como algo extremamente negativo porque, de acordo com os americanos, "nós não sabemos beber moderadamente".
- As danças em boates (night clubs) são as mais bizarras que já vi na minha vida. Pra mim, eles não dançam, eles se esfregam, e de um jeito extremamente "sexual". Em contrapartida, eles não se beijam em baladas. 
- Se alguém estiver interessado em você, vai provavelmente pedir o seu telefone pra depois chamar pra sair.
- Os lugares de "date" (encontro) são normalmente coffee shops, como o Starbucks. Não tem a cultura do bar como tem no Brasil (como já havia dito). 
- Aqui as comidas não tem tempero e pra ficar com gosto você tem que colocar molho em tudo.
- Pra quem tem problema de estômago (como eu), a comida daqui é a pior possível: muita fritura, molho e gordura em tudo.
- Aqui você compra um copo de bebida e pode encher quantas vezes quiser. Achei genial.
- Até hoje não vi a opção de parcelamento em compras no cartão de crédito. A minha amiga Gabriela que vive há quase um ano em Washington DC também disse que nunca viu.
- Aqui em Memphis as casas são feitas de madeira. São muitos mais fáceis, rápidas e baratas de serem construídas. Achei demais.
- As pessoas compram carros usados por uma pechincha comparado ao Brasil.
- Aqui em Memphis o transporte público é péssimo, o que faz com que todas as pessoas precisem de carro. Ouvi falar que boa parte dos Estados Unidos é assim, tirando as grandes cidades.
- As pessoas não te tocam quando te cumprimentam. O "Hi, how are you?" é sem nem mesmo dar as mãos.
- Todo lugar tem climatização artificial (ar condicionado e aquecedor) e alguns não tem janela.
- As pias da cozinha tem moedor de comida. Ao invés de jogar no lixo, você bota no moedor.
- Todas as torneiras tem água quente. 
- Já peguei muita mulher saindo do banheiro sem lavar as mãos, e em todo banheiro de algum estalecimento alimentar (restaurante, bar, etc) tem um aviso pros funcionários não se esquecerem de lavar as mãos ao usarem o banheiro.
- Tem tecnologia pra tudo que você imagina. Tudo é feito pra facilitar ao máximo sua vida.
- Aqui, falar que eu caminho 15 minutos da Universidade até minha casa é falar que ando muito por dia.
- Tem muitas pessoas obesas comparado ao Brasil.
- Pra eles, eu tenho cara de européia antes mesmo de abrir a boca, apesar de eu achar que tenho cara de americana.
- É comum as mulheres usarem pijama e maquiagem pra ir ao supermercado.
- Serviço de celular é muito barato. Aqui pago 10 dólares por mês pra ligar pra qualquer fixo internacional.


Vou atualizando quando lembrar de mais coisas...


domingo, 10 de março de 2013

eu era feliz e sempre soube



O mundo moderno construiu uma fórmula para alcançarmos a felicidade. Se você tiver alguém para amar (e for correspondido), tiver um emprego que lhe garanta um bom dinheiro por mês, e se você viajar para o exterior todos os anos e possuir bastantes fotos com amigos nas redes sociais, você é uma pessoa feliz. E aí que o mundo tem mesmo razão porque eu provavelmente seria muito feliz com tudo isso. Mas procurei buscar em outras coisas que hoje se tornaram preciosas pra mim.
Acho que, apesar de saber que uma parte da minha felicidade está ancorada em principalmente achar um bom parceiro o qual passarei o resto da minha vida, e um emprego que me preencha, sei que tenho muitas outras felicidades que fazem falta no meu atual contexto. Ou então que foram descobertas atualmente. Estar longe de meu país tão querido e de pessoas tão amadas, e perdendo certos prazeres que eu tinha por lá, pude refletir sobre tudo isso.
Vou fazer uma lista deles aqui:


1 - Comer bem. E como isso faz a minha vida tão, mas tão mais feliz! Eu admito ficar de mau humor às vezes quando me pego comendo mal... E comer mal pra mim significa comer porcaria, no sentido mais amplo do fast food da coisa. Comer bem seria aquela comida gostosa incluindo arroz, feijão, uma carninha e uma salada, sempre bem temperados com alho e sal, e azeite. Comida japonesa estaria também inclusa, definitivamente. Pizza de São Paulo também (porque as daqui são horrorosas. Imagine que no país não existe requeijão e, consequentemente, catupiry...).

Agora: a comida norte-americana é ruim demais. Eles não sabem temperar nada e colocam molho barbecue e pimenta em tudo. Muita fritura e refrigerante. Passo mal só de pensar.


2 - Caminhar (a pé, é lógico). Taí um dos prazeres que descobri logo nos primeiros anos da faculdade. Afinal, andar só de carro ou de ônibus é um saco, apesar de não termos escolha muitas vezes. Mas admito que gosto de ser pedestre boa parte do tempo, e isso faz a minha vida mais feliz.

Agora: aqui nos Estados Unidos é bom andar a pé porque a paisagem é linda! E é menos perigoso que no Brasil em relação a assaltos. Mas o clima não ajuda. Ou tá muito frio, ou chovendo, ou um calor de 45 graus Celsius. Aí admito que às vezes dá preguiça...


3 - Cuidar do meu próprio nariz é o maior de todos os prazeres. Acho fantástico você poder fazer o que quiser na hora que quiser, e ser responsável por si mesma o tempo todo. Às vezes é angustiante porque não é fácil viver por si só, mas é a sensação mais enriquecedora que já vivi em toda a minha vida.

Agora: voltar a morar com os pais é realmente algo conflituoso. Ainda mais depois de 4 anos morando sozinha. 


4 - Dividir quarto. apesar de ter seu próprio quarto parecer ser uma boa escolha, eu sinto falta de ter alguém pra conversar antes de dormir. Me sentia mais feliz e segura divindo quarto.


5 - Se vestir bem. não tem coisa mais gostosa do que se sentir bonita(o), e isso faz parte do meu dia-a-dia. Há pouco tempo descobri a maquiagem e como usá-la melhor, mas até então eu só sabia passar um rímel de vez em quando. Roupas bonitas também estão entre meus prazeres. 

Agora: as mulheres norte-americanas tem um estilo muito diferente do brasileiro. Elas usam maquiagem super "pesada" e ao mesmo tempo usam moletom que eu usaria só na minha casa.... vai entender.


Provavelmente ainda me lembrarei de mais prazeres e pretendo postá-los aqui. Au revoir!

sábado, 28 de julho de 2012

Mulher: sexo frágil

Desde os tempos primórdios, a mulher é vista de forma diferente do homem. Daí surgem as mil vertentes de pensamento que envolvem a questão do gênero. Mas hoje não vou falar necessariamente da parte negativa do machismo, mas sim algumas coisas que passam na cabeça de muitos homens e que nem sequer chegam perto de nós, mulheres. E eis o motivo do porquê ficamos às vezes tão indignadas - ou desentendidas - ao comportamento desses rapazes.
Muitos homens (não digo todos) não aceitam serem os pobres da relação. Eles querem te levar pra sair, te buscar em casa e todos esses cavalheirismos que eu não nego que sejam interessantes. Porém, alguns homens se intimidam ou se envergonham quando não podem cumprir esses papéis, e podem se comportar de forma insegura quando você chamá-lo pra dar umas voltas. Não se preocupe, é somente uma questão de orgulho masculino, e a gente nem se dá conta disso, acreditando que ele não gosta de nós (sim, nós mulheres somos sempre dramáticas e levamos tudo pro lado sentimental).
Entre essas responsabilidades, o homem pode assumir muitas outras dentro de um relacionamento, como o fato de ser responsável inteiramente... por seus sentimentos. De certa forma, se ele se comprometeu a estar com você, ele é responsável por muitas coisas dentro do relacionamento, mas a mulher não é um vaso de porcelana como muitos acreditam. A idéia de sexo frágil reina entre as cabeças românticas masculinas (estou descartando, nesse quesito, os cafajestes de plantão que só querem te comer) e isso os torna, muitas vezes, inseguros. O velho "medo de magoar" injustificável ou então o quanto ele será responsável por um possível sofrimento seu são coisas que atormentam algumas mentes inseguras. Rapazes, acreditem, nós mulheres sabemos muito bem de nossas decisões e o que queremos de nossas vidas. Vocês se tornam o sexo frágil ao demonstrar tanto medo assim nos relacionamentos e digo isso não só por mim, mas por relato de muitas colegas passando por essas coisas. Acreditem, isso acontece muito hoje em dia. E não há coisa mais desanimadora para nós, mulheres, como um homem que não se iguala a ela nas funções.
E nessa insegurança toda, nas respostas rasgadas, nos medos internos, surge a mágoa. O medo de magoar se torna, então, real. É como um ciclo sem fim.

Mulheres, não se preocupem tanto assim com o comportamento masculino. Observem bem se não há nenhuma dessas questões do "papel masculino" envolvida.
Homens, não se entreguem tanto a esse romantismo desnecessário. Praticidade e sentimentalismo, ambos equilibrados, é ótimo! E estamos aqui para dividirmos os papéis.

Fica a dica!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

tempo ao tempo

Como já diziam os sábios, "dê tempo ao tempo".
É incrível como para algumas coisas o tempo passa tão rápido e, pra outras, leva uma eternidade. Dar tempo ao tempo para ser decidido (pelo tempo? por nós?) como as coisas correrão é um processo interno, do psicológico, muito mais do que o tempo ditado na Física. Por isso mesmo que o tempo é relativo, e que muita coisa pode mudar em um tempo pequeno mas, por conta de sua importância e grande impacto, parece que se passaram dias ou anos. Ou então alguns dias ou anos que parecem não passar porque está tudo como sempre foi.
O luto e sofrimento é desses tempos que parecem não ter tempo certo pra acabar. Sobre a felicidade, dizem que dura pouco. Sobre o amor, que seja eterno enquanto dure. O tempo também anda junto com as saudades, sempre, e nos mostra como um paradoxo incontestável (faltam apenas dois dias pra eu ver fulano! mas parece uma eternidade...).
A ansiedade é o sentimento que tenta ultrapassar o tempo e é um dos piores e mais recorrentes sentimentos da pós-modernidade (Bauman?).

Dê tempo ao tempo.
De tempos em tempos...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TensãoPré

Caramba... taí uma das piores coisas existentes na (minha) vida de mulher: a TPM. Hoje por algumas horas eu achei que o mundo ia acabar, tive vontade de chorar horrores, e ainda me segurei pra não falar asneiras a terceiros. Ou seja, sou eu me contendo o tempo inteiro. É uma luta infindável, sem dúvidas. E muito, muito desgastante. E sempre dá em empate.
Eu sei que só vou ganhar quando cair o nível de progesterona do meu corpo...

(e é aí que me pergunto... quantos % somos psique? e quantos % somos hormônios? dá pra entrar algum tipo de matemática aí? ah, a metafísica...)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

prática e teoria não se misturam (mas deveriam, não é?)

Acho que tem muita gente na mesma situação que eu. Os alunos de Letras de terceiro e penúltimo ano, que estão pouco a pouco entrando na prática. Mas a prática tem-me parecido tão nova e diferente de tudo que eu já vi até então, muito desvinculada das teorias que aprendi.
Sei que estou na segunda melhor universidade do país e que isso vai encher meu currículo de cinco estrelas, independente da minha real formação. Mas aí é que está; começo a questionar tudo.
Eu sempre gostei da minha universidade e da minha faculdade. Aprendi muitas coisas interessantes e até o primeiro semestre do segundo ano eu era apaixonada pelo meu curso e sabia que estava seguindo a carreira certa. Mas esta sensação tem se desconstruído cada vez mais. Hoje, mais próxima da realidade e do fim do curso, percebo que não tenho base suficiente para atuar na Licenciatura que fará parte do meu currículo. É tudo muito intuitivo e chego a questionar se meu curso realmente é bom.
Não temos Gramática, nem Literatura Brasileira mais aprofundada, nem Literatura Portuguesa... a não ser que eu tenha sorte de poder fazer estas disciplinas aqui. Esta total abertura de poder pegar a Literatura que eu quiser me deixa feliz, por um lado, mas totalmente desanimada, de outro. Claro, é muito interessante saber coisas sobre Jorge Luis Borges ou então sobre Platão. Assim como é interessante (e ainda mais útil, sabendo que vou atuar em alguma escola brasileira) saber sobre Machado de Assis e Camões, que são disciplinas que abarcam o que eu realmente vou precisar saber pra poder ensinar aos meus futuros alunos.
Aí me vem aquele engraçadinho que diz: "Mas na universidade pública você tem que ir atrás das coisas! Você tem que ir lá buscar as informações! Ninguém te dá nada de mão beijada". Tá, tá, eu sei disso! Mas deveria conter na minha grade curricular muitas teorias consideradas básicas para que a prática funcione bem. Veja só, não sei nada de Bakhtin nem de Vygotsky. Não sei nada da base que me faria atuar como professora. E não sei nem por onde começar, se devo ou não devo estudar estes teóricos tão sempre mencionados nas Bibliografias de Licenciatura. Isto sem contar que as aulas da Faculdade de Educação são quase sempre muito ruins.
Aí me questiono também se ser professora de escola seria uma boa. As péssimas condições de trabalho, incluindo o salário baixo e o fato de eu não me sentir preparada PARA atuar como professora são fatores muito desmotivadores.
Aí penso em seguir a carreira de Linguista porque, olha só, tem coisa muito interessante por aí. A Neurolinguística também me fascina pois lida com educação, linguagem e neuropsicologia, apesar de eu [ainda] saber muito pouco sobre ela. Mas meu curso também tem muita pouca coisa sobre Linguística porque temos um Bacharel em Linguística e aí sim você poderá ser um Linguista de verdade... Ou seja, a pós-graduação terá de vir logo em seguida se eu decidir seguir esta área.
As disciplinas consideradas práticas, como o fato de montarmos um material didático ou então darmos aula de Português para Estrangeiros parecem ótimas pedidas. Mas não se enganem. O material didático é totalmente desvinculado da prática, o que nos faz pensar se ele funcionaria ou não. E a aula para os Estrangeiros é desvinculada da teoria e quase sempre nos sentimos perdidos e não sabemos nem por onde começar. Acho que tem alguma coisa errada aí, não é mesmo? Será eu a única pessoa a me sentir tão insegura quanto a tudo e tão desmotivada? Não, acredito que não.

Só sei que sempre crio expectativas na minha faculdade e quase sempre me frustro com ela.
Mas é isso aí. O último ano me espera e pretendo criar novas expectativas mais uma vez...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Estranhezas

Hoje fui à livraria em busca de um livro de literatura fantástica, muito bem falado e indicado por uma amiga minha. O livro não era muito barato, mas eu já havia separado o dinheiro e tinha certeza de que iria levar se encontrasse. Quando me deparei com o livro e li sua 'sinopse' na contra-capa, tive a sensação de estar relendo um passado meu, e decidi na hora não comprar. Foi uma sensação muito estranha, mas é como se já tivesse passado a vontade de ler aquele livro há muito tempo. É como se não houvesse mais identificação, por mais que eu tenha me empolgado em ler.

Deixei o livro na prateleira e fui procurar um de crônicas cotidianas...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Planos para as férias

Lembrei-me que ano passado fiz uma listinha do que fazer nas férias de verão e praticamente cumpri tudo. Vou listar aqui algumas coisas que pretendo fazer:

1 - Tomar um pouco de sol e mudar um pouco de cor
2 - Viajar
3 - Sarar da minha esofagite
4 - Tirar meu siso
5 - Ler
6 - Terminar meu Mario Galaxy 2 e meu Okami
7 - ficar muito pouco tempo na internet - aliás, quero fugir disso aqui
8 - Reecontrar pessoas queridas das quais tenho saudades
9 - Escrever
10 - (Re)aprender a dirigir

Por enquanto é isso... se alguém se lembrar de mais alguma coisa por mim, aceito sugestões. E quem quiser participar de algumas dessas empreitadas comigo, fique à vontade também.

E, como já diriam os Beatles, "All we need are vacations".

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Efeito Macca


Só quem esteve no show realmente sabe do que eu estou falando.

Talvez por eu ser uma fã de Beatles de longa data - desde que nasci - eu tenha me surpreendido tanto com a performance do Paul neste domingo-louvado, dia 21 de Novembro de 2010, no Estádio do Morumbi em São Paulo.
Imagine você, estando na arquibancada e vendo o Morumbi lotadasso. São 60.000 pessoas cantando juntas, chorando, gritando, vibrando pelo Paul - ou pelos Beatles que já se foram. Tinha gente de todas as idades, mas posso dizer que a 90% que estava lá não era nem nascido quando os Beatles terminaram. Ótima acústica, telões em HD, cheio de efeitos. Os caras tocaram muito, muito mesmo.
Destaques para The long and winding road (belíssima), Hey Jude (a minha favorita), Live and Let Die, I've just seen a face, Something (em homenagem ao George) e, é claro, o combo A Day in the life + Give peace a chance.

Eu não tenho do que reclamar. Nem chuva teve. E ainda fui com o meu pai. Valeu, Paul!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

desadolescendo (?)

Aquelas noitadas com música indie rock têm me cansado - e muito. Não tenho mais paciência nem vontade para dar de encontro aos pseudo-cults-descolados-de-roupas-coloridas-que-seguem-a-moda-indie. Não tenho mais vontade de dançar "Dancing with Myself" e nem MGMT. Não tenho mais vontade - e fisicamente nem posso mais - de beber vodka com coca-cola. Não tenho mais vontade de ir na Rock'n'beats, Rockones e todas as baladas com 'rock' no nome. Tampouco gosto de outros tipos de baladas.

Mas ainda gosto de jogar meu Wii e amo minha coleção de Barbies. Ainda acho Rei Leão o melhor desenho do mundo e meu quarto tem várias bonequinhas da Sakura e de Zelda nas prateleiras. Ainda espero ansiosamente por alguns jogos de videogame e admiro a cultura japonesa, como fazia quando tinha uns 12 anos de idade.

E hoje me disseram [mais uma vez] que à primeira vista pareço diferente do que realmente sou.

Devaneios, crises de identidade e fome. Vou indo lá comer que eu ganho mais (ou não, porque se trata do RU).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ah! Às mulheres...

Elas são sempre tão charmosas, doces, inteligentes, intuitivas! Divertidas, algumas delas meio doidas, engraçadas, com senso de humor. Ah, essas mulheres da minha vida. Se não fosse por elas o que seria de mim? Minhas amigas, companheiras, com quem eu converso sobre tudo, desde algumas nerdices até falar mal de homens, escolher roupa, sapato, maquiagem, esmalte.
E costumam ser sensíveis e decididas; arriscam sem medo, seguram as pontas, são compreensivas e tentam até o fim.
Estas são características das minhas companheiras, e por elas faço a minha imagem de mulher.

Este post pode soar meio clichê e feminista, mas quem se importa? Nós somos mesmo sensacionais e não há homem que nos supere. Não que eu conheça...

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Histórias de amor

Estive pescando, por aqui e acolá, histórias de amor de alguns conhecidos. O interessante é notar como elas são contadas com grande entusiasmo como se fossem um conto de fadas quando, obviamente, terminam "bem". As histórias que não tiveram um final feliz costumam ser contadas com racionalidade, distância, analisando os detalhes e com certo ar de sensatez. Ou então as pessoas evitam falar sobre elas, até mesmo porque as esqueceram, fizeram questão de esquecer aquilo que passou ou que terminou em lágrimas.
E tem a minha mãe, que com aquele ar sereno e interrogativo, analisa suas histórias como 'uma ironia' que, no seu tão esperado fim-que-ainda-não-terminou, recaem sobre uma felicidade bem merecida após uma boa luta, desencontros e sofrimentos ("And in the end, the love you take is equal to the love you make", já diriam os Beatles).
Mãe também quer ajudar...pra gente entender a vida como ela é. Mas pra entender, mesmo, é só vivendo. Se é que é possível entendê-la...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

melancolia

Não tenho me sentido nada bem, e isso tem me assustado um pouco (leia-se 'muito'). A maior parte do dia sinto que estou angustiada, não tenho mais vontade de estudar - estou praticamente 'largando' minha faculdade -, me sinto desanimada à beça. Ando até sem apetite e já emagreci um bocado.
E parece que os pensamentos negativos sempre persistem e me fazem chorar.

Que merda é isso? Alguém me explica?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

inconstância

Posso dizer que essa foi uma das semanas mais difíceis da minha vida.

E tudo se resolveu com a chegada da menstruação e com uma conversa um tanto quanto apaziguadora.

... o que o amor não cura?

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Palavreando

Eu não deveria ter começado um blog. Não deveria pois de poética tenho mais do que deveria, mas nada que saia da minha mente, e, quando penso em passar para o papel, me vem certa angústia. Um certo desconforto aparece como que se as pessoas fossem, através do que eu escrevo, descobrir quem sou, o que quero, o que pretendo. Entretanto, a idealização de que escrevemos aquilo que somos, ou de que temos total controle das palavras é falsa: a escrita segue seu próprio caminho, e, quando notamos, ela já saiu de nós, já criou vida própria e pode sofrer infinitas interpretações que independem de nós. Quem lê tira suas próprias conclusões, e, a partir de então, faz sua própria leitura, onde guarda, mesmo que inconscientemente, seus anseios, devaneios, fetiches, "enlaçando" tudo a sua história [única] de vida e suas leituras anteriores. A leitura se torna, então, única.
Por que, então, escrever? Relutei muito comigo mesma pra chegar à conclusão de que um blog como esse, ou seja, um blog como uma escrita de si tem muito a me acrescentar e a te acrescentar também. O leitor muda toda vez que lê, e o texto muda o leitor que por sua vez mudará o texto e a sua interpretação. O escritor ao tentar "domar" as palavras também muda, e, a cada frase escrita ou apagada, muda então seu pensamento e sua própria reflexão.
Venho por meio deste blog, portanto, tentar, principalmente, me tranformar. Espero poder ler este post e a cada vez sentir que estas não eram as palavras que deveriam ter sido. E é isso que vai movimentar o meu ser e a minha escrita a persisitirem por aqui.
Espero que cada post daqui transforme vocês também.