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domingo, 16 de junho de 2024

reflexões

Às vezes a vida nos convida a sentar e a escrever. É o que decidi fazer hoje. Eu sei que a maior das lições da vida é aprendermos a estar no presente, e a aproveitar esse presente. Acho que tenho o maior dos privilégios, na verdade, que é muitas vezes ter que lidar com perdas. Assim, aprendo a me manter centrada, no presente, no instante. Que passa tão rápido. Mas que deixa tanta coisa boa. Ou não, também. Mas deixa algo. E quando esse algo se transforma em vontade de viver? De mudar? De se engrandecer? É assim que tenho me sentido. Tem momentos que o presente corrói, mas corrói também lembrar do passado, que tanto doeu. Ou que tanto foi bom, e que não existe mais. A vida sabe que eu sei, às duras e leves penas, que tudo termina (será meu plutão conjunção com ascendente escorpião?). Um dia também terminaremos. Mas o presente tem sido generoso comigo. Muito generoso. Ele termina, no presente do indicativo, mas tem algo que fica. Tem algo que vai ficar, no futuro. E tem algo que ficará, também, no pretérito perfeito. E que perfeito. Admito que, de certa forma, cansa viver tantas e tantas perdas em pouco tempo. E espero que, em algum momento, isso possa cessar pra que eu possa, enfim, viver a vida com mais leveza, pelo menos. Mas viver é bom. Obrigada, vida. Obrigada. Te amo hoje e sempre, no presente, no passado, e sei que no futuro. Porque o que eu amo já faz parte de quem eu sou.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

desabafo

Precisava desabafar, né, e este blog sempre serviu pra isso primeiramente. Aqui estou, depois de um bom tempo de mente tranquila, em um momento de muito sofrimento. E que incrível né, sempre tem a ver com situações amorosas mal sucedidas. Queria entender porque os caras perdem interesse por mim "do nada". Queria entender o que tenho feito de errado. Queria entender tudo isso que acontece na minha vida. De verdade. Queria entender como um amor de tantas vidas acaba em poucos minutos. Queria entender porque as pessoas não se esforçam verdadeiramente pras coisas melhorarem. Queria entender o porque a pessoa não deu ouvidos às minhas críticas e diz que interpretei errado as ações dela ("foi um convite, não uma exigência"). Queria entender como uma pessoa que se diz se preocupar tanto com espiritualização tem zero tolerância comigo (pro buço, pras minhas decisões de vida, pra tudo). Queria entender porque tenho que passar por tudo isso justamente num momento que preciso de total doação a outras coisas e ler um monte de livros pra uma prova que vai decidir minha vida. Queria entender porque não temos controle das nossas emoções internas; porque sempre sofremos muito mais do que estimamos racionalmente. Pra mim nunca foi o contrário... sempre sofri mais do que havia imaginado. Na hora do término, o alívio. Depois, um sofrimento que só aumenta e se transforma em raiva. Raiva porque você acredita não merecer tal sofrimento. Mas deve merecer, né, senão não estava sofrendo.

Se vc, Deus, anjo, entidade espiritual, ou simplesmente uma pessoa iluminada me der a resposta de pelo menos uma dessas perguntas, eu juro que ficaria eternamente grata.

Acho que a resposta é aceitar os fatos e parar de se perguntar.
Só queria alguém que topasse encarar a vida de frente comigo. Queria achar um amor de verdade que fizesse isso por ele, por mim, por nós. 

Se a vida for isso que tenho vivido minha vida inteira, não sei se vale a pena.

E ah, um recadinho pro meu ex caso ele esteja lendo isso: não quero seu amor, não quero sua pena ou preocupação ou compaixão. o que eu quero de você, você não pode me dar. então me deixe em paz...
e ah, essa de "vamos deixar o tempo resolver as coisas porque quero voltar com você" não cola mais, não. já passei por isso outras vezes e fiquei que nem trouxa esperando, até que, PUF, nada aconteceu. Não vou prolongar minhas lágrimas e angústia esperando o tempo.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

poeminha da madrugada doída

Das pálpebras pesadas
Do coração partido
Vejo-me encantada
Ainda sob seu feitiço

Em certa tristeza sigo a vida
Coração injusto
Mente esperta: nada sentida

O real me desgasta
A vida dura me corrói
Quero viver de fantasia
Meu coração ainda dói

Mata-me, coma-me ferida
Engula a realidade
Traga-me a miragem
A uma alma perdida

sábado, 1 de março de 2014

Solidificada

A solidão sempre esteve presente nos momentos em que me pegava distraída. De início não gostava e achava que sua existência era algo ruim. Incomodava-me também com sua maneira arrogante e decidida de se aproximar, quase que impondo seus modos sobre os meus. Mas aprendi a aceitar e há tempos nosso relacionamento se tornou até que confortável. Ela costuma bater na porta sem avisar previamente que viria, entra algumas vezes sem minha permissão e fica eternamente nas salas do meu consciente, quase que tomando conta dos meus desejos mais profundos e anseios emocionais. Chega a ser irritante, mas com o tempo me acostumei bem.
Recentemente ela se afastou de mim e admito que senti falta de sua presença marcante, não sabendo o que fazer para substituía-la. Quando me vi com ele, ela, enciumada, se escondeu no mais profundo do meu corredor do consciente, quase na ala do imperceptível. Me esqueci dela por um tempo, por horas, dias e até mesmo meses.
Há duas semanas ela voltou, bateu novamente à minha porta, encabulada e cabisbaixa, perguntando se podia entrar. Eu relutei dessa vez, afinal, que tipo de relacionamento é esse que, depois de tanto tempo presente, decide sumir e voltar quase que sem explicações, satisfações ou então um arrependimento. Mas abri as portas mais uma vez. Ela entrou, sentou no
sofá e debochou da minha cara, dizendo que sempre esteve à espreita para voltar a me conquistar e disse que já sabia que conseguiria. Convencida.
Arrependi-me mesmo por algumas horas por tê-la deixado entrar, mas agora me (re)acostumei com sua irritante presença.
Bem-vinda de volta, solidão.

sábado, 16 de novembro de 2013

?

entre as dúvidas e medos, me vejo no mesmo lugar. sem saber pra onde ir.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

da alma

eu podia lhe falar umas poucas e boas. podia lhe falar muito mais do que já lhe falei; afinal, sei da minha postura introvertida. a mágoa faz doer as palavras até mesmo não ditas, e é incrível como consegui finalmente encontrá-las (elas estavam muito bem escondidas).
não me importa o quanto você sofreu na vida, ou o quanto você é louco. não me importa, tampouco, sua postura de lamentação quando tratamos de um sexo casual. na verdade, percebi que muita coisa não me importava, que eu não me importava também em me relacionar de verdade com você. acho que talvez a minha postura de pouco me importar era o grande escudo anti-envolvimento que eu percebi que funcionou muito bem. afinal, o ligar o foda-se faz a gente não ficar ansioso, nem com expectativas além da conta e simplesmente aproveitar o momento e boa. o momento imposto por você ao dizer que não queria nada sério. tá certo. continuamos seguindo com nada sério.
me ausentei, adotei a postura passiva - você quem condicionou o relacionamento, percebeu? - até que você me deu sinais de envolvimento e me falou dos seus sentimentos. eu permaneci calada quanto aos meus. eu não queria desgaste, e eu não sabia o que sentia por você. só sabia que deveria ir com cuidado, com cautela, porque não te conhecia e não queria me machucar. feito.
você chegou a me dar mancada umas duas vezes. mancadas essas que me deixaram enfurecida. esperei a raiva passar pra poder contornar e voltar a falar com você - afinal, vc veio atrás as duas vezes. você não se desculpou de relance: a desculpa veio da oportunidade que eu dei pra vc se desculpar. incrível como vc reconhece a própria cagada mas não tem iniciativa pra pedir desculpas. covardia.

enxergo em você um homem que não quero pra mim. enxergo em você o homem problemático, louco, bipolar, inconstante, covarde. enxergo em você alguém que teria que muito mudar - ou muito lutar - pra ficar comigo.
mas, ao mesmo tempo, percebo que eu gosto de você. eu gosto do seu jeito, gosto do seu toque, do seu cheiro, dos seus olhos. mas eu paro por aqui, porque não quero gostar.

uma vez minha prima me disse que um relacionamento só vale a pena mesmo quando nos entregamos totalmente. talvez esse não tenha valido a pena. minha memória reluta em lembrar dos bons momentos. me vejo quase que em um escudo de sentimentos. nada sinto, só sinto o alívio de você ter me ignorado. afinal, eu não queria me envolver com você.
mas fica o resquício da dor... a dor de ser rejeitada. (ou a dor de rejeitar?)


só não sinto muito...


domingo, 25 de agosto de 2013

Não poderia deixar passar

São 5 a.m., acabo de voltar de uma casa noturna na minha cidade. O lugar foi inaugurado recentemente, mas o que se observa ali já é de anos.
São pessoas preocupadas em arranjar alguém para passar a noite, em beber para esquecer, em se divertir para se libertar.
O clima parece de diversão, mas não se engane: é possível visualizar em cada rosto algum tipo de angústia tremenda. A diversão também nos parece momentânea; após o efeito do shot de tequila o desânimo aparece como a ressaca do dia seguinte.
O não ficar com alguém é algo comprometedor ao sucesso da noite. Mas o ficar também se torna algo vazio; afinal, é só por aquele momento e nada mais.
As músicas, já tocadas há anos, soam agora repetitivas, como se os ouvidos estivessem cansados de apreciá-las. Mesmo a cerveja, que é bem servida, é de difícil digestão.
A noite se torna ilusão e desapontamento.

Chego em casa e tomo um chá, a fim de terminar bem a noite desgastada...

sábado, 29 de junho de 2013

sendo

Há momentos em que você sente tudo.
Há outros em que você nada sente. Ou acha que nada sente.
Momentos em que você transborda e precisa extravar.
Outros em que sua alma não se arrisca.
Há momentos que você está desencanado.
Outros, preocupado.
Há algumas crises de insegurança - mas que elas só fiquem em "algumas"
Há outras em que você se sente em paz.
Há momentos de ansiedade, tensão, choro.
Outros em que você se sente muito forte.
Há momentos em que você se vê apaixonado.
Outros, que acha que é bobagem.


Ser [Humano] tudo isso em poucos dias é uma experiência e tanto.

No momento estou bem, obrigada.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

despedaçada


Acho que preciso de terapia, de uma dose de amizade, de fortalecimento. Há tempo não me sentia tão quebradiça por dentro e não consigo entender a causa. De dia tento catar meus pedaços e tem noites que parece que o mundo vai acabar. Até sonhei com o Apocalipse. Fica assim não, menina, que a dor um dia vai passar. Ela sempre passa. A menina aqui precisa de uma dose de coragem e outra de esperança.

sexta-feira, 22 de março de 2013

coração


E é nesse montarel de pensamento que às vezes escuto meu coração, já tão cansado de esperar e de sofrer por tantos amores perdidos e lágrimas à toa. Não é fácil ouvi-lo; a razão quase sempre falou mais alto. Ainda sim, devido a ela, neste momento decido esperar o tempo certo, esperar para me reconciliar e saber que há coisas que guardamos para nós mesmos, memórias. Mas juro que tento escutar, e ele não só fala, como grita, talvez há algum tempo desde que eu pude perceber que poderia amar de novo. Mas eu espero, como quem ferve a água mas não deixa ela transbordar; afinal, a vida não deve ser se jogar, se arriscar e ter certeza de tudo antes de pensar. A vida é incerteza, o amor também.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

atrasada


Estou para escrever este post há milênios e parece que, neste tempo de ócio improdutivo, eu não conseguia escrever, alinhar, transformar em texto estes pensamentos e sentimentos presos na minha garganta, ou no meu cérebro, mais precisamente no córtex, onde se produz a linguagem e os pensamentos. Afinal, escrever é tornar o pensamento, através do sistema linguístico, em uma lógica onde há um começo, um meio, um fim, e tudo que eu menos tinha por esses tempos era a capacidade, ou melhor, o êxito em transformar meus sentimentos em palavras, ou mais precisamente, em palavras que pudessem formar sentenças ou períodos que se completassem semanticamente.
Mas cá estou, relutando em escrever algo bom. Afinal, eu preciso me ouvir (no caso, me ler) para conseguir me entender, e o blog é um espaço para isso. E a verdade é: cada dia, para mim, tem sido uma luta entre entender o que eu quero, o que eu possuo e o que eu faço.Viver nunca me pareceu um complexo de tantas emoções juntas que se transformam na atual e principal delas: a fragilidade.
Há duas semanas atrás, posso me dizer que me sentia tão segura e preparada, tão forte e tão feliz. Agora, me vejo quase como em um labirinto sem saída, destes que a vida traz para nós de vez em quando. Acho que não me sinto insegura, mas sim me sinto frágil. Não frágil de fraca, mas frágil por não estar convicta e feliz com o que tenho, de não estar devidamente satisfeita e por perceber que a vida é muito mais forte do que acreditava que ela fosse. Mesmo tentando, eu ainda não encontrei sentido nem felicidade onde atualmente estou. Penso em voltar, mas seria crueldade com minha própria coragem, ou seja, seria covardia não tentar mais um pouco.
Sobre o amor, eu já nem mais o que pensar sobre ele. Acredito estar onde estou por causa dele. Mas também sinto-me em outro patamar, em outra realidade, sinto-me outra pessoa, e esta fragilidade me impede de querer muitas coisas.

Tudo o que peço é que eu me faça, ou então, já não sei mais, "façam-me" viver novamente.

domingo, 2 de dezembro de 2012

ironia

Uma vez um amigo meu discutiu comigo algumas questões sobre futuro, expectativa, desejo. Ele me disse que detestava o Brasil e que, se seu pai fosse algum dia trabalhar nos EUA, ele com certeza iria junto.
Eu disse a ele que não tinha esse anseio pois não dava pra esperar algo de tamanha magnitude. Estou estudando para servir ao meu país e o mais sensato a fazer era ficar por aqui e trabalhar em prol da educação brasileira. Um desejo palpável.

Ironicamente, o pai do meu colega faleceu e o meu vai estudar nos EUA.

e nessas horas eu engulo seco.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

conselho de amiga

Caros amigos homens,

vocês se apaixonam antes de pensar. Antes de analisar. Antes de se amarem. Antes de se protegerem. Arriscam por essas meninas indecisas, imaturas, carentes, orgulhosas, perturbadas. Não que haja alguém perfeito no mundo, mas temos que achar alguém do mesmo nível de maturidade, pelo menos. E alguém que nos aceite da maneira como somos.
Devem sim amar, devem mergulhar a fundo no relacionamento. Mas cuidado, porque a poça em que podem estar pisando pode ser funda e sujar todo seu sapato lustroso. E quanto maior a velocidade em que pisam, maior a decepção. E mais difícil fica pra limpar.

E depois ainda reclamam que as mulheres que não prestam, que elas são muito difíceis, etc. Complicado isso aí.

(é válido para todos os gêneros e opções sexuais)
(dedico a um querido amigo muito literário e de enorme sensibilidade, o qual acredito que achará alguém de verdade pra sua vida. no tempo certo.)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

o tempo não está ao meu lado

De que adianta tanto sentimento bom se não é possível praticá-lo?
Quanto mais o tempo passa, o que era bom se transforma em saudade e tristeza...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

nu

as mãos frias, a perna direita inquieta batia no chão repetidamente. bons pensamentos, pois sabia que teria que manter a calma e a argumentação.
estava com a roupa de casa, a qual não sairia na rua. banhou-se, se enxugou e foi se trocar.
"qual roupa eu ponho afinal?". ela sabia que aquela seria uma conversa importante e que poderia resolver muita coisa, mas não sairia de casa. talvez fosse a última vez que o visse, talvez a última que falasse com ele. ela tinha aquela certeza incerta de que as coisas terminariam.
"invista, invisto. visto."
- sabe, menina? aquele verde bonito realça seus olhos! - havia dito sua colega de quarto
"por que não?". colocou uma roupa bonita, passou perfume e até um pouco de rímel. um brilho nos lábios completou sua esperança tão cabisbaixa e ainda desencorajada.
ela sabia que, ao expor-se, despir-se de sua racionalidade exacerbada, ao mostrar à flor de sua pele branca que o amava, seus argumentos acabariam. o sentimento se tornaria sua principal razão.
e investia, sem perder a fé e (racionalmente) preparada para a mágoa...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Quando a Morte lhe acena

A angústia aparece, o coração aperta quando a Morte nos acena. Pode ser de perto, de longe, de passagem rápida, de supetão, com hora marcada, devagar, discretamente. De qualquer maneira, o desamparo e o desespero estão entre os primeiros sinais. A tristeza vem junto, algumas vezes encarregada de um alívio.

A Morte sempre me acenou de muito longe; tive pouco contato com ela. Não a conheço. Mas ela vem me acenando há alguns dias e quer chegar cada vez mais perto, como se quisesse me conhecer bem a fundo. Sei que ainda a encontrarei em muitos momentos.

Torço mesmo para que ela vá embora o quanto antes pois sua presença é insuportável, me incomoda e me dá dor de barriga. Que vá logo embora e carregue os meus sentimentos ruins consigo.

Se ela vier falar comigo, já até ensaiei o que dizer:

"- Todos os cães merecem o céu, você bem sabe disso..."