quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tudo líquido

Bauman está certo.

A sociedade moderna das angústias e muitas possibilidades, do consumo exacerbado e das relações pessoais facilmente descartáveis. Da velocidade vista como salvação para se esquiar neste gelo fino, das mudanças repentinas de comportamento, do descaso ao amor, das relações de trabalho perdendo espaço para a acirrada competição política. das identidades que se dissolvem nesse emaranhado de escolhas que não sabemos quais fazer. da Globalização e meios de comunicação, que permitem a todos saber sobre tudo e estar em contato com outras culturas e nos faz ainda mais indecisos e ansiosos por informações.
Da necessidade do ser e estar a todo momento, aqui e lá, hoje e amanhã. Do futuro "inescrutável, impermeável, incogniscível e, por fim, além do controle humano". Este é o homem sem vínculos. Ele não pode ter vínculos, não pode se apegar. E eis que, em meio disso tudo, surge a angústia, o desespero, a falta.

Fica, aqui, uma pequena citação de Bauman do livro "Identidade". Uma das muitas que eu queria fazer por aqui:

""Num mundo em que o desprendimento é praticado como uma estratégia comum da luta pelo poder e auto-afirmação, há poucos pontos firmes da vida, se é que há algum, cuja permanêncoa se possa prever com segurança. Assim, o 'presente' não compromete o 'futuro', e não há nada nele que nos permita adivinhar, muito menos visualizar, a forma das coisas que estão por vir. O pensamento e, mais ainda, os compromissos e as obrigações de longo prazo parecem, de fato, 'sem sentido'. Pior ainda, parecem contrapuducentes, realmente perigosos, um caminho tolo a se seguir, um lastro que precisa ser atirado ao mar e que teria sido melhor, afinal das contas, nem ter sido trazido a bordo". (p. 74)

Acho que, em síntese, Bauman traz um grito de socorro. Onde é que tudo isso vai parar? Um apelo ao "sólido" que tem sumido da nossa sociedade.

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