quarta-feira, 23 de julho de 2025

A dor que se pensa

Gisela era uma moça quase senhora que sabia que tinha uma grande limitação: seu corpo era pequeno pro seu coração. Seu coração não cabia direito no espaço da caixa torácica, vivia apertado e muito, mas muito dolorido. Não havia espaço para bater e, quando batia, batia demais, ou de menos, porque o desconforto do pequeno espaço era constante. Até que Gisela decidiu colocar o coração na cabeça, para ver se ele se aquietava ou se conseguia se virar bem. O coração batia lá, e batia com força, com vida, e feliz, pois estava ao lado do cérebro, que o acompanhava sempre que não estava muito ocupado se concentrando em outras coisas. O coração e cérebro viraram amigos, eram uma tremenda dupla. Mas quando o coração sentia alguma dor, ou alegria, o cérebro fazia questão de querer sentir também. E ele se esforçava, mas não sentia nada. Ele só compreendia o sentimento. Sabia que era alegria, sabia o porquê, sabia que aquilo deveria durar mais tempo porque fazia bem para o corpo. A mesma coisa de outros sentimentos. Alguns eram difíceis de compreender, o cérebro ficava perdido. "Por que diabos Gisela está de novo com esse sentimento esquisito?", pensava. E perguntava ao seu bom e velho amigo, o coração, que respondia com gentileza: "Não faço ideia, cérebro, é sua função compreender. A minha é só sentir". Nisso, o cérebro começou a tentar compreender e explicar para si mesmo todo e qualquer sentimento de Gisela. E isso a tranquilizava, o coração batia mais sereno, mais tranquilo cada vez que o cérebro compreendia uma emoção. O poder do pensamento! - pensou o cérebro, se gabando muito do êxito de suas ações pensantes. Mas o coração, ah, se tornava cada vez maior para o espaço que ali estava, e ele não compreendia o porquê. "Coração, o que você está sentindo?". "Estou apertado de novo", dizia, "Sinto um alívio cada vez que você me explica o que sinto, mas continuo me sentindo muito apertado aqui. Acho que não há mais espaço para mim nesse corpo". Nisso, o coração decidiu sair, se livrar do corpo que parecia já tão, tão apertado pro seu tamanho. Ele seguiu sozinho, pulsante, pulsando, acreditando que, sem o cérebro, poderia viver mais. E assim o fez, até seu último tudum, muito bem batido.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

corujas

Todos os dias em que eu passava pela rodovia SP 215, sentido Descalvado/Porto Ferreira, eu via uma linda corujinha, dessas buraqueiras, sentada na placa que indicava a direção de Porto. Impreterivelmente, às 6h40 da manhã, ela estava lá, admirando o nascer do sol e a vista montanhosa e verdejante. De certa forma, os dias ficavam mais aconchegantes com a presença da coruja, pois, assim como eu, ela tinha o  destino de estar no mesmo lugar e horário todos os dias. Nós pertencíamos a uma mesma lógica, e nos conectávamos.
Certo momento, minha vida mudou. Meu coração se encheu de alegria por ter esbarrado no amor e na parceria. Nesse momento, outra corujinha começou a aparecer e, juntas, elas formavam um par de corujas na placa. Ela não estava mais sozinha, estava agora acompanhada e talvez sua rotina estivesse menos solitária. Todos os dias, às 6h40, lá estavam as duas corujas sentadas olhando para o horizonte. Foram quase três meses em que, todos os dias, eu falava bom dia às corujas queridas, e meu coração também comemorava.
Até que, certo dia, minha parceria terminou. Parece ficção, eu sei, mas uma das corujas simplesmente não estava mais ali. Só havia uma, novamente. Pensei que ainda estivéssemos conectadas nisso de destino, não era possível. Admirava a corujinha que ainda permanecia firme e forte ali, todas as manhãs, talvez para proteger seu ninho, o qual eu não tinha percebido, ou simplesmente para seguir o fluxo da vida natural. E assim ela esteve.
Certo dia de agosto, a segunda corujinha reapareceu. Ela estava, dessa vez, sentada em uma placa do outro lado da rodovia. E a corujinha da placa de Porto Ferreira permanecia ali, ainda. As duas corujas se entreolhavam distantes, talvez fosse algum tipo de despedida de corujas, não sei. Foi aí que me lembrei: aquele era o dia em que ele se mudaria para Portugal. Para outro lado do mundo, além do oceano. Meu coração estremeceu, eu senti saudade, como se também tivesse me conectado a ele pelo pensamento. Acredito nisso de conexão por pensamento, que fisga os sentimentos do coração. Mais uma vez totalmente me identificava com as corujas. Estávamos mesmo conectadas. 
A partir desse dia, nunca mais vi a segunda coruja. Assim como eu, a única coruja seguia por lá todos os dias, ainda. Até que eu também parei de estar ali. Não sei se ela ainda se encontra por lá, talvez tenha voado pra longe, também. 

domingo, 16 de junho de 2024

reflexões

Às vezes a vida nos convida a sentar e a escrever. É o que decidi fazer hoje. Eu sei que a maior das lições da vida é aprendermos a estar no presente, e a aproveitar esse presente. Acho que tenho o maior dos privilégios, na verdade, que é muitas vezes ter que lidar com perdas. Assim, aprendo a me manter centrada, no presente, no instante. Que passa tão rápido. Mas que deixa tanta coisa boa. Ou não, também. Mas deixa algo. E quando esse algo se transforma em vontade de viver? De mudar? De se engrandecer? É assim que tenho me sentido. Tem momentos que o presente corrói, mas corrói também lembrar do passado, que tanto doeu. Ou que tanto foi bom, e que não existe mais. A vida sabe que eu sei, às duras e leves penas, que tudo termina (será meu plutão conjunção com ascendente escorpião?). Um dia também terminaremos. Mas o presente tem sido generoso comigo. Muito generoso. Ele termina, no presente do indicativo, mas tem algo que fica. Tem algo que vai ficar, no futuro. E tem algo que ficará, também, no pretérito perfeito. E que perfeito. Admito que, de certa forma, cansa viver tantas e tantas perdas em pouco tempo. E espero que, em algum momento, isso possa cessar pra que eu possa, enfim, viver a vida com mais leveza, pelo menos. Mas viver é bom. Obrigada, vida. Obrigada. Te amo hoje e sempre, no presente, no passado, e sei que no futuro. Porque o que eu amo já faz parte de quem eu sou.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Com COVID mas cantando

when the moon is in the seventh house 
and Jupiter aligns with Mars 
then peace will guide our planets 
and love will steer the stars

quarta-feira, 5 de julho de 2023

monstrinhos

Hoje é dia de abraçar os demônios,
Puxar uma cadeira extra
Pedir mais uma cervejinha
E dizer, gentilmente,
"Sente-se, você é bem-vindo aqui".

rio do meu coração

Na incerteza da certeza
Há uma correnteza
Que avança.

O rio, que uma vez esteve cheio de peixes
e água límpida estará
Daqui a alguns quilômetros,
Ou a algumas horas,
Mais escuro, sem vida.

Meu coração se divide em rios
Que cheios de amor,
De tristeza,
De esperança,
De memórias,
Se entrelaçam.

Se encontram,
E desaguam.
Como duas grandes correntezas.

O fluxo, contínuo
Segue toda a vida
Assim sendo, misturando as águas.
Se dividindo
Misturando
Até o fim dos tempos.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

jupiteriano

 Aqui é referente mesmo a Júpiter. Planeta do júbilo, da leveza, da prosperidade.

Você é como Júpiter. Aliás, ascendente e mercúrio em Sagitário, és filho dele e maior amante da natureza. Com a sensilidade e profundidade de um bom escorpiano. 

E eu aqui, cada dia mais encantada por tudo que você traz. Talvez vivendo ainda uma fantasia, essa mesma que Júpiter pode vir a representar. Mas o centauro, com sua flecha, aponta para horizontes limpos, de harmonia e prosperidade. Te aceito como és, te vejo como és. Dessa forma, espero construir um mundo mais bonito contigo, cheio de luz e amor. É isso. Você é meu Júpiter. Espero poder ser seu Sol.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

saudades

 vó, hoje eu senti saudades suas. como eu nunca havia sentido até então. lembrei dos tempos em que você cuidava de mim todos os dias quando eu era uma criança mimada. lembrei também do seu arroz e feijão, que eram inigualáveis, e de você rindo das besteiras que a família contava. também me lembrei de quando você me dava escondido dos meus pais notas de cinquenta reais pra eu comprar alguma coisinha que eu quisesse. lembrei de você lavando minhas roupas quando cheguei dos estados unidos sozinha. lembrei de você sempre preocupada se eu estava bem. lembrei de você sendo vó, aquela coruja, me chamando de pituquinha. hoje senti sua falta, como nunca. e a verdade é que eu busco, todos os dias, algum sinal de que você, de alguma forma, se lembra de mim. você não se lembra, me chama de menina. a memória pode ter se perdido, mas sinto que seu amor está aí. todos os dias eu recebo o presente de você sorrindo pra mim, confiando em mim pra te guiar quando você precisa de algo, me dando beijo. o amor é à prova de tudo. o amor é atemporal, não liga pra maus tempos. vó, eu te amo hoje e sempre. espero que algum dia você se lembre disso.

sábado, 27 de novembro de 2021

descalço

ao acordar no meio da noite, calçamos os sapatos. em meio a sonhos e consciência não restaurada, calçamos um pé, descalçamos o outro. e vamos quase que sonâmbulos, tropeçando entre o calçado e o descalço. seguimos andando, calçando um, descalçando outro, calçando um, descalçando outro. mas chegamos lá.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

O azul anil virou aquarela

 Olá, caros viajantes da existência! Após uns bons anos de hiato, decidi retornar ao blog a fim de recapitular meus processos advindos da escrita criativa, mas agora com um novo nome: o Azul Anil virou Aquarela e está mais colorido do que nunca! Afinal, as cores são importantes, dão um ar da graça e trazem versatilidade a nossa vida, não é mesmo? Sejam muito bem-vindos novamente, meus leitores queridos. Um abraço apertado e virtual (por enquanto),


Mariana

terça-feira, 3 de novembro de 2015

desabafo

Precisava desabafar, né, e este blog sempre serviu pra isso primeiramente. Aqui estou, depois de um bom tempo de mente tranquila, em um momento de muito sofrimento. E que incrível né, sempre tem a ver com situações amorosas mal sucedidas. Queria entender porque os caras perdem interesse por mim "do nada". Queria entender o que tenho feito de errado. Queria entender tudo isso que acontece na minha vida. De verdade. Queria entender como um amor de tantas vidas acaba em poucos minutos. Queria entender porque as pessoas não se esforçam verdadeiramente pras coisas melhorarem. Queria entender o porque a pessoa não deu ouvidos às minhas críticas e diz que interpretei errado as ações dela ("foi um convite, não uma exigência"). Queria entender como uma pessoa que se diz se preocupar tanto com espiritualização tem zero tolerância comigo (pro buço, pras minhas decisões de vida, pra tudo). Queria entender porque tenho que passar por tudo isso justamente num momento que preciso de total doação a outras coisas e ler um monte de livros pra uma prova que vai decidir minha vida. Queria entender porque não temos controle das nossas emoções internas; porque sempre sofremos muito mais do que estimamos racionalmente. Pra mim nunca foi o contrário... sempre sofri mais do que havia imaginado. Na hora do término, o alívio. Depois, um sofrimento que só aumenta e se transforma em raiva. Raiva porque você acredita não merecer tal sofrimento. Mas deve merecer, né, senão não estava sofrendo.

Se vc, Deus, anjo, entidade espiritual, ou simplesmente uma pessoa iluminada me der a resposta de pelo menos uma dessas perguntas, eu juro que ficaria eternamente grata.

Acho que a resposta é aceitar os fatos e parar de se perguntar.
Só queria alguém que topasse encarar a vida de frente comigo. Queria achar um amor de verdade que fizesse isso por ele, por mim, por nós. 

Se a vida for isso que tenho vivido minha vida inteira, não sei se vale a pena.

E ah, um recadinho pro meu ex caso ele esteja lendo isso: não quero seu amor, não quero sua pena ou preocupação ou compaixão. o que eu quero de você, você não pode me dar. então me deixe em paz...
e ah, essa de "vamos deixar o tempo resolver as coisas porque quero voltar com você" não cola mais, não. já passei por isso outras vezes e fiquei que nem trouxa esperando, até que, PUF, nada aconteceu. Não vou prolongar minhas lágrimas e angústia esperando o tempo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

álbuns favoritos (2002-2009)

Post escrito em 2009 no site Last.fm.

Listo a seguir alguns álbuns que marcaram a minha adolescência desde 2002, e não necessariamente os meus álbuns de maior prestígio atualmente. Nostalgia total.

1. Let Go (2002)


A pose de 'roqueira rebelde skatista' de Avril Lavigne, em junção a letras sobre problemas de mocinhas-adolescentes-que-choram-por-namorado-e-dão-a-volta-por-cima e melodias pop um tanto quanto cativantes fazem de Let Go um dos melhores álbuns Pop dos últimos anos, e totalmente marcante em minha adolescência. O próprio Design simples do encarte, com fotos borradas e letras escritas à mão chamavam a atenção de um público que já estava cansado das cantoras pops 'certinhas e cor-de-rosa'. Até hoje ouço o álbum com gosto. Talvez não com o mesmo gosto de uns 5 anos atrás, mas admito que ainda pulo de alegria ouvindo Sk8er Boi. A Avril nunca mais fará algo assim. Nota 10.
Para ouvir hoje e sempre: Sk8er Boi, Complicated


2. Century Child (2002)


All the same take me away, we're DEAD TO THE WORLD! ;_; Ainda considero o Nightwish a melhor banda - e a única que consigo ouvir - do gênero metal melódico de vocal feminino, e este álbum é formidável. Conheci os finlandeses pelo Once, lançado em 2004, mas foi o Century Child que me fez cair de ouvidos pela genialidade do Tuomas. As guitarras pesadas, o ar melancólico e ultra gótico, e as letras a la Goethe fazem deste álbum o melhor do Nightwish. A voz de Tarja está belíssima, e a Orquestra Filarmônica da Finlândia fez um ótimo trabalho também. O cd inteiro é bom, e recomendo ouvir na seqüência correta, já que as melhores músicas são as primeiras e as últimas, criando um nuance interessante.
Para ouvir hoje e sempre: Ever Dream, Bless the Child, Beauty of the Beast.

3. X&Y (2005)


X&Y foi um dos álbuns mais marcantes em minha vida, até mesmo por ter sido lançado e eu ter escutado numa época muito agoniante pra mim, no começo de 2006. Eu não conhecia Coldplay até então, e quando ouvi o singelo piano e a voz doce de Chris Martin em Fix You, foi amor à primeira ouvida. Entretanto, as músicas me entristeciam ainda mais, só que ainda assim eu as ouvia (sim, foi um momento emo de minha vida). Voltei a ouvi-lo agora em 2008, com muito mais atenção, e posso dizer que peguei ainda mais gosto pela coisa. Recomendo.
Para ouvir hoje e sempre: Fix You, Swallowed in the Sea, The Hardest Part

4. Ghost Of A Rose (2003)


Sem palavras pra descrever este álbum. Muito bom seria pouco, mas posso dizer que foi graças a ele que peguei gosto pelo gênero celta/medieval, e venero Ritchie (ex Deep Purple e guitarrista-mor) por ter montado uma banda como essa, além de ser o cara mais sortudo do mundo por ter se casado com a Candice Night (eles são algo como A Bela e a Fera da música). Por fim, posso dizer que os bandolins, os violinos, o violão de Ritchie, a voz de Candice e o ar bucólico-pueril do álbum faz dele algo muito gostoso de se ouvir. Recomendo para dias de relaxamento, ou enquanto você estiver jogando Zelda.
Para ouvir hoje e sempre: Way To Mandalay, Cartouche, Loreley

5. I Megaphone (1998)


Este álbum foi o primeiro do qual eu tive contato com algo mais eletrônico. Eu já havia ouvido o Speak for Yourself, mas foi o I Megaphone que me fez gostar do gênero. Com canções fortes e de temas subjetivos, a Imogen fez algo diferente aqui, bem menos Pop e mais ousado. Aliás, este álbum é bem diversificado. Temos músicas tristes como Candlelight, músicas 'em transe' como Sweet Religion e Rake it in, até sedutoras como Come Here Boy e Whatever. Graças à Imogen que hoje gosto de Patrick Wolf e afins. Beijos pra ela! (o fato do Leandro ter me apresentado estes artistas também conta?)
Para ouvir hoje e sempre: Come Here Boy, Candlelight, Angry Angel

6. Life in Cartoon Motion (2007)


Este é o álbum mais gay e mais feliz de todos os tempos, e pode ter certeza de que ganha de qualquer outro do Village People que eu sei que você tem junto à sua coleção de cds dos Rolling Stones. Enfim, este álbum - o de estréia de Mika - me traz felicidade até hoje quando o ouço. É de deixar qualquer pessoa depressiva curada instantaneamente. E como um álbum feliz, também marcou uma época feliz da minha vida, em meados de 2007. Apelativo ao Pop, o Mika acertou em cheio nas canções. Sem contar que a voz dele é extraordinariamente sensacional, sendo comparado até mesmo ao Freddie Mercury do Queen. Anda ouvindo Radiohead demais? Ouça Mika para equilibrar.
Para ouvir hoje e sempre: Grace Kelly, Lollipop, Love Today

7. Soviet Kitsch (2004)


O Soviet Kitsch é, de longe, o melhor álbum da Regina, e um dos meus favoritos de sempre. Diferente de tudo que eu já tinha ouvido até então, de primeira eu não gostei do cd. Após algumas insistidas fui pegando gosto pelas músicas, e hoje acho o álbum inteiro genial. A faixa Us, por exemplo, é a faixa mais linda feita por Regina, e acredito que dificilmente existirá outra igual. Mas já aviso a todos os interessados (alguém?) que é um álbum de difícil digestão, e a maior parte das músicas é praticamente só piano e voz. São músicas tristes e bonitas na maior parte, e com aquele charme que só a Regina consegue dar. And it's contagious!!!
Para ouvir hoje e sempre: Us, Ode to Divorce, The Flowers

8. Abbey Road (1969)


Considero o Abbey Road o melhor álbum do "Quarteto Fantástico", talvez junto com Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Ou junto com o The White Album? Não sei. O Beatles tem tanta coisa boa que fico muito em dúvida, mas, este álbum sim foi marcante pra mim. Me apaixonei primeiramente por She's so Heavy, mas as outras faixas são ainda melhores. Inovador, diferente, genial. Tudo o que posso dizer sobre o último álbum gravado pelos Beatles. Chave de ouro do rock.
Para ouvir hoje e sempre: Here Comes the Sun, Something, Golden Slumbers, The End

9. Viva la Vida or Death and All His Friends (2008)


Demorei também a pegar gosto por este, mas hoje posso dizer que o álbum mais diferente do Coldplay é também o mais encantador. Com músicas muito mais bem elaboradas e o uso de uma instrumentalização totalmente diversificada, Viva La Vida Or Death and All His Friends supera muito as expectativas. Como sempre genial, o Coldplay conseguiu manter a qualidade mudando bastante o estilo. Muito marcante para mim neste começo de vida nova agora em 2009. Recomendo a todos de bom gosto musical!
Para ouvir hoje e sempre: Viva la Vida, Life in Technicolor, Death and All His Friends, 42

Pois é isso aí. Creio que muitos álbuns ainda serão marcantes em minha vida. Mas antes de postar sobre eles, é preciso vivê-la também. Beijos a todos e obrigada por chegar até o fim! =)

sábado, 3 de maio de 2014

poeminhas antigos

Que surpresa boa! Estava fuçando em um computador que usava há uns bons anos atrás e achei um arquivo com algumas poesias que escrevi na época! Posto para não perdê-las e para vocês apreciarem :)
(estava na adolescência quando os escrevi)
autoria: Mariana Rosa




Amor florido (Maio/2005)


Assim como a vida,
Assim como o desabrochar dos fatos,
O amor é como uma flor.

Uma flor que de seu pequeno botão
Miúda envolvida em sua corola ainda imatura,
Cresce lentamente a despertar.

Ora, o amor não é nada mais
Nada a menos do que uma flor.
Uma flor que floresce,
cresce mas um dia adormece.

Adormece já pobre em cores,
Pobre em alegria e ousadia.
Seu tempo acabou,
Sua vida já terminou.

E se houver alguém que ouse me dizer
“o amor não há de terminar”,
Este alguém não sabe entender
Que uma flor irá sempre despetalar.



O olhar (Outubro/2003)



O olhar,
Sentido simples da vida
Para que possamos enxergar.

O olhar,
A porta mais aberta
Para nossos sentimentos libertar.


O olhar,
Seja ele frio, esperançoso
É sempre ele a nos avisar.

Não precisamos de palavras,
Basta o olhar para nos contrariar.

Serei feliz se um dia
Esse olhar
Amor me demonstrar.

Mas cuidado
Esse olhar pode muito bem
A flor murchar.

Olhar triste é como
Imensa escuridão
Indo aos poucos se acabar.

Ah, se eu pudesse o mundo mudar!
Já estaria bem longe
O frio e triste olhar...

Só nos resta então
Olhar a imensidão
Seja ela dentro ou fora de nós...

Olhares nos olham
Nós olhamos olhares
Temos muito do que desfrutar.

Pois um dia
Nosso olhar ira terminar
Para num novo mundo ele acordar.


 

Encontros perdidos (Outubro/2004)




O tempo vai passando,
A hora vai chegando.
E posso, a cada segundo,
Sentir-me mais perto de ti.

Mais perto do seu aconchego,
Mais perto do seu carinho,
Mais perto do seu calor.
Mais perto da minha felicidade.

Espero a hora chegar
Para o encontro de olhares
Para a volta dos abraços
Para finalmente a saudade poder espantar.

Espero, e finalmente chega
Chega a angústia de querer te ver
De te encontrar no meio da multidão
Por mais barulho e confusão que possa haver.

Gente, muita gente passa,
Abraça, reencontra.
Choro, angústia.
Tudo ali podia notar.

E sentada, ali espero
Já era hora, e não te vejo
Não te encontro, não te percebo.
Então, o ônibus vai-se.

Coração apertado.
Mas, finalmente pude encontrar-te.
Sentado, também esperando.
Esperando também a felicidade.

A felicidade que é levada.
Levada por rodas,
E que demora a chegar.
Finalmente pude notá-la.

Só me entristeço quando penso
O que te trouxe à mim
Há de levar-te embora
Novamente.

Posso nunca mais ver seu rosto
Posso nunca mais sentir o seu toque
Posso nunca mais lembrar-me de ti
Só espero encontrar-te de novo.



Milênio (2002)




Milênio, milênio

Substantivo tão complicado
Representando mil anos
passados


Milênio, milênio
Substantivo de grande extensão
Representando mais mil anos
Que ainda passarão

Seremos todos iguais
Com cabeça, tronco e membros?
Ou mudaremos nossa arquitetura
ao finalizarem os Dezembros?

Saberemos brincar
e nos divertir?
Ou seremos imóveis
Fincados no cimento sem dele sair?

Seremos inocentes
no futuro?
Ou seremos corruptos
escondidos por trás dos muros?

Ficaremos presos
aos computadores e máquinas?
Ou brincaremos no ar livre
e ainda beberemos leite de vaca?

Se pelo menos pudéssemos
Avançar ao futuro
e ver como estão as coisas por lá,
Apagaríamos todas as dúvidas
que existem no mundo de cá.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

poeminha da madrugada doída

Das pálpebras pesadas
Do coração partido
Vejo-me encantada
Ainda sob seu feitiço

Em certa tristeza sigo a vida
Coração injusto
Mente esperta: nada sentida

O real me desgasta
A vida dura me corrói
Quero viver de fantasia
Meu coração ainda dói

Mata-me, coma-me ferida
Engula a realidade
Traga-me a miragem
A uma alma perdida

sábado, 1 de março de 2014

Solidificada

A solidão sempre esteve presente nos momentos em que me pegava distraída. De início não gostava e achava que sua existência era algo ruim. Incomodava-me também com sua maneira arrogante e decidida de se aproximar, quase que impondo seus modos sobre os meus. Mas aprendi a aceitar e há tempos nosso relacionamento se tornou até que confortável. Ela costuma bater na porta sem avisar previamente que viria, entra algumas vezes sem minha permissão e fica eternamente nas salas do meu consciente, quase que tomando conta dos meus desejos mais profundos e anseios emocionais. Chega a ser irritante, mas com o tempo me acostumei bem.
Recentemente ela se afastou de mim e admito que senti falta de sua presença marcante, não sabendo o que fazer para substituía-la. Quando me vi com ele, ela, enciumada, se escondeu no mais profundo do meu corredor do consciente, quase na ala do imperceptível. Me esqueci dela por um tempo, por horas, dias e até mesmo meses.
Há duas semanas ela voltou, bateu novamente à minha porta, encabulada e cabisbaixa, perguntando se podia entrar. Eu relutei dessa vez, afinal, que tipo de relacionamento é esse que, depois de tanto tempo presente, decide sumir e voltar quase que sem explicações, satisfações ou então um arrependimento. Mas abri as portas mais uma vez. Ela entrou, sentou no
sofá e debochou da minha cara, dizendo que sempre esteve à espreita para voltar a me conquistar e disse que já sabia que conseguiria. Convencida.
Arrependi-me mesmo por algumas horas por tê-la deixado entrar, mas agora me (re)acostumei com sua irritante presença.
Bem-vinda de volta, solidão.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

mary jane bot

Alguém para onde eu podia ser intensamente vivida, há o amor.

fonte: http://what-would-i-say.com/ (ou eu mesma)

sábado, 16 de novembro de 2013

?

entre as dúvidas e medos, me vejo no mesmo lugar. sem saber pra onde ir.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

o homem mais triste

Você, entre todos os homens os quais me aproximei, é o mais triste de todos. 

Encara a vida difícil que tem como algo muito simples. "Todos dizem que minha vida é trágica", me disse logo no primeiro encontro. Estranhei, afinal, quem lida com a tristeza de forma tão tranquila e direta a uma desconhecida? Ele conta os tão terríveis causos como se contasse sua rotina. A tristeza é parte de sua rotina, não a estranha nem questiona. 
"Não sei se consigo escrever assim como você", disse sobre meus contos. Ele, que tanto gosta de histórias e literatura, não consegue transformar em uma narrativa coerente o que se passa em sua cabeça. "Você não conseguiria dar coesão nem coerência a um texto, não é?", perguntei a ele. "Isso mesmo". A minha teoria estava certa...
Gosta de mostrar os livros que havia comprado, gosta de contar algumas coisas que havia lido. Isso eu gostava nele...
Gaba-se quando se vê como louco; ele não só não esconde a loucura como faz questão de mostrá-la a todos. Orgulha-se em ser louco, em vestir essa máscara. Não pensa nas consequências de sua loucura, tampouco sabe lidar com o que se passa em sua cabeça. Ele é um louco que jamais procurará ser menos louco. Afinal, ser louco é tudo que ele tem, é tudo que ele é. Se ele perder isso, quem passará a ser?
Entre os momentos que vivi ao seu lado, o seu passado é tão vivo que aparece a cada minuto de conversa com ele. "Eu quase morri várias vezes", ele disse. "Pois então, você é praticamente um super-homem", eu brincava, querendo trazê-lo ao presente. Mas ele não consegue permanecer no presente por muito tempo; sua memória triste é tão viva, senão mais viva que qualquer acontecimento feliz (ou atual) de sua vida. Triste.
Consegui trazê-lo ao presente por alguns dias, talvez. Os dias os quais ele disse que não parou de pensar em mim; os quais a gente riu e fez piadas juntos. Os quais me senti gostando de um moço triste que havia, pela única vez, mostrado um lado o qual não esparava nem conhecia. Mas não durou por muito tempo. A tristeza venceu mais uma vez e voltou a contar histórias do seu passado sombrio. Uma vida difícil. 
Mas nada é mais difícil do que sucumbir à tristeza e à memória dessa forma. Você é o homem mais triste que eu já beijei.  


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

da alma

eu podia lhe falar umas poucas e boas. podia lhe falar muito mais do que já lhe falei; afinal, sei da minha postura introvertida. a mágoa faz doer as palavras até mesmo não ditas, e é incrível como consegui finalmente encontrá-las (elas estavam muito bem escondidas).
não me importa o quanto você sofreu na vida, ou o quanto você é louco. não me importa, tampouco, sua postura de lamentação quando tratamos de um sexo casual. na verdade, percebi que muita coisa não me importava, que eu não me importava também em me relacionar de verdade com você. acho que talvez a minha postura de pouco me importar era o grande escudo anti-envolvimento que eu percebi que funcionou muito bem. afinal, o ligar o foda-se faz a gente não ficar ansioso, nem com expectativas além da conta e simplesmente aproveitar o momento e boa. o momento imposto por você ao dizer que não queria nada sério. tá certo. continuamos seguindo com nada sério.
me ausentei, adotei a postura passiva - você quem condicionou o relacionamento, percebeu? - até que você me deu sinais de envolvimento e me falou dos seus sentimentos. eu permaneci calada quanto aos meus. eu não queria desgaste, e eu não sabia o que sentia por você. só sabia que deveria ir com cuidado, com cautela, porque não te conhecia e não queria me machucar. feito.
você chegou a me dar mancada umas duas vezes. mancadas essas que me deixaram enfurecida. esperei a raiva passar pra poder contornar e voltar a falar com você - afinal, vc veio atrás as duas vezes. você não se desculpou de relance: a desculpa veio da oportunidade que eu dei pra vc se desculpar. incrível como vc reconhece a própria cagada mas não tem iniciativa pra pedir desculpas. covardia.

enxergo em você um homem que não quero pra mim. enxergo em você o homem problemático, louco, bipolar, inconstante, covarde. enxergo em você alguém que teria que muito mudar - ou muito lutar - pra ficar comigo.
mas, ao mesmo tempo, percebo que eu gosto de você. eu gosto do seu jeito, gosto do seu toque, do seu cheiro, dos seus olhos. mas eu paro por aqui, porque não quero gostar.

uma vez minha prima me disse que um relacionamento só vale a pena mesmo quando nos entregamos totalmente. talvez esse não tenha valido a pena. minha memória reluta em lembrar dos bons momentos. me vejo quase que em um escudo de sentimentos. nada sinto, só sinto o alívio de você ter me ignorado. afinal, eu não queria me envolver com você.
mas fica o resquício da dor... a dor de ser rejeitada. (ou a dor de rejeitar?)


só não sinto muito...


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

silêncio

na falta de palavras, completa-se com calmaria.