sexta-feira, 22 de março de 2013

coração


E é nesse montarel de pensamento que às vezes escuto meu coração, já tão cansado de esperar e de sofrer por tantos amores perdidos e lágrimas à toa. Não é fácil ouvi-lo; a razão quase sempre falou mais alto. Ainda sim, devido a ela, neste momento decido esperar o tempo certo, esperar para me reconciliar e saber que há coisas que guardamos para nós mesmos, memórias. Mas juro que tento escutar, e ele não só fala, como grita, talvez há algum tempo desde que eu pude perceber que poderia amar de novo. Mas eu espero, como quem ferve a água mas não deixa ela transbordar; afinal, a vida não deve ser se jogar, se arriscar e ter certeza de tudo antes de pensar. A vida é incerteza, o amor também.

domingo, 10 de março de 2013

eu era feliz e sempre soube



O mundo moderno construiu uma fórmula para alcançarmos a felicidade. Se você tiver alguém para amar (e for correspondido), tiver um emprego que lhe garanta um bom dinheiro por mês, e se você viajar para o exterior todos os anos e possuir bastantes fotos com amigos nas redes sociais, você é uma pessoa feliz. E aí que o mundo tem mesmo razão porque eu provavelmente seria muito feliz com tudo isso. Mas procurei buscar em outras coisas que hoje se tornaram preciosas pra mim.
Acho que, apesar de saber que uma parte da minha felicidade está ancorada em principalmente achar um bom parceiro o qual passarei o resto da minha vida, e um emprego que me preencha, sei que tenho muitas outras felicidades que fazem falta no meu atual contexto. Ou então que foram descobertas atualmente. Estar longe de meu país tão querido e de pessoas tão amadas, e perdendo certos prazeres que eu tinha por lá, pude refletir sobre tudo isso.
Vou fazer uma lista deles aqui:


1 - Comer bem. E como isso faz a minha vida tão, mas tão mais feliz! Eu admito ficar de mau humor às vezes quando me pego comendo mal... E comer mal pra mim significa comer porcaria, no sentido mais amplo do fast food da coisa. Comer bem seria aquela comida gostosa incluindo arroz, feijão, uma carninha e uma salada, sempre bem temperados com alho e sal, e azeite. Comida japonesa estaria também inclusa, definitivamente. Pizza de São Paulo também (porque as daqui são horrorosas. Imagine que no país não existe requeijão e, consequentemente, catupiry...).

Agora: a comida norte-americana é ruim demais. Eles não sabem temperar nada e colocam molho barbecue e pimenta em tudo. Muita fritura e refrigerante. Passo mal só de pensar.


2 - Caminhar (a pé, é lógico). Taí um dos prazeres que descobri logo nos primeiros anos da faculdade. Afinal, andar só de carro ou de ônibus é um saco, apesar de não termos escolha muitas vezes. Mas admito que gosto de ser pedestre boa parte do tempo, e isso faz a minha vida mais feliz.

Agora: aqui nos Estados Unidos é bom andar a pé porque a paisagem é linda! E é menos perigoso que no Brasil em relação a assaltos. Mas o clima não ajuda. Ou tá muito frio, ou chovendo, ou um calor de 45 graus Celsius. Aí admito que às vezes dá preguiça...


3 - Cuidar do meu próprio nariz é o maior de todos os prazeres. Acho fantástico você poder fazer o que quiser na hora que quiser, e ser responsável por si mesma o tempo todo. Às vezes é angustiante porque não é fácil viver por si só, mas é a sensação mais enriquecedora que já vivi em toda a minha vida.

Agora: voltar a morar com os pais é realmente algo conflituoso. Ainda mais depois de 4 anos morando sozinha. 


4 - Dividir quarto. apesar de ter seu próprio quarto parecer ser uma boa escolha, eu sinto falta de ter alguém pra conversar antes de dormir. Me sentia mais feliz e segura divindo quarto.


5 - Se vestir bem. não tem coisa mais gostosa do que se sentir bonita(o), e isso faz parte do meu dia-a-dia. Há pouco tempo descobri a maquiagem e como usá-la melhor, mas até então eu só sabia passar um rímel de vez em quando. Roupas bonitas também estão entre meus prazeres. 

Agora: as mulheres norte-americanas tem um estilo muito diferente do brasileiro. Elas usam maquiagem super "pesada" e ao mesmo tempo usam moletom que eu usaria só na minha casa.... vai entender.


Provavelmente ainda me lembrarei de mais prazeres e pretendo postá-los aqui. Au revoir!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

atrasada


Estou para escrever este post há milênios e parece que, neste tempo de ócio improdutivo, eu não conseguia escrever, alinhar, transformar em texto estes pensamentos e sentimentos presos na minha garganta, ou no meu cérebro, mais precisamente no córtex, onde se produz a linguagem e os pensamentos. Afinal, escrever é tornar o pensamento, através do sistema linguístico, em uma lógica onde há um começo, um meio, um fim, e tudo que eu menos tinha por esses tempos era a capacidade, ou melhor, o êxito em transformar meus sentimentos em palavras, ou mais precisamente, em palavras que pudessem formar sentenças ou períodos que se completassem semanticamente.
Mas cá estou, relutando em escrever algo bom. Afinal, eu preciso me ouvir (no caso, me ler) para conseguir me entender, e o blog é um espaço para isso. E a verdade é: cada dia, para mim, tem sido uma luta entre entender o que eu quero, o que eu possuo e o que eu faço.Viver nunca me pareceu um complexo de tantas emoções juntas que se transformam na atual e principal delas: a fragilidade.
Há duas semanas atrás, posso me dizer que me sentia tão segura e preparada, tão forte e tão feliz. Agora, me vejo quase como em um labirinto sem saída, destes que a vida traz para nós de vez em quando. Acho que não me sinto insegura, mas sim me sinto frágil. Não frágil de fraca, mas frágil por não estar convicta e feliz com o que tenho, de não estar devidamente satisfeita e por perceber que a vida é muito mais forte do que acreditava que ela fosse. Mesmo tentando, eu ainda não encontrei sentido nem felicidade onde atualmente estou. Penso em voltar, mas seria crueldade com minha própria coragem, ou seja, seria covardia não tentar mais um pouco.
Sobre o amor, eu já nem mais o que pensar sobre ele. Acredito estar onde estou por causa dele. Mas também sinto-me em outro patamar, em outra realidade, sinto-me outra pessoa, e esta fragilidade me impede de querer muitas coisas.

Tudo o que peço é que eu me faça, ou então, já não sei mais, "façam-me" viver novamente.

domingo, 2 de dezembro de 2012

ironia

Uma vez um amigo meu discutiu comigo algumas questões sobre futuro, expectativa, desejo. Ele me disse que detestava o Brasil e que, se seu pai fosse algum dia trabalhar nos EUA, ele com certeza iria junto.
Eu disse a ele que não tinha esse anseio pois não dava pra esperar algo de tamanha magnitude. Estou estudando para servir ao meu país e o mais sensato a fazer era ficar por aqui e trabalhar em prol da educação brasileira. Um desejo palpável.

Ironicamente, o pai do meu colega faleceu e o meu vai estudar nos EUA.

e nessas horas eu engulo seco.

sábado, 17 de novembro de 2012

Oração



Nossas Senhoras da Luz certeira,
Proteja todo e qualquer passo que hei de dar

Livrai-me de todo e qualquer mal,
Livrai-me de mim, da minha angústia
Do meu medo
Da minha falta de esperança.
Livrai-me, também, dos falsos amores;
Mais ainda dos amores antigos;
Estes não podem nem devem interferir no meu progresso.

Dai-me condições físicas e mentais pra me esforçar
Pra crescer, trabalhar, ganhar meu pão
Ajudai meus pais neste novo caminho que irão seguir
E me ancorai a principalmente achar o meu, Nossa Senhora

Agradeço pelo pão de todo dia
Pelo amor recebido
Pelas condições financeiras necessárias.
Agradeço pela saúde que me sobra
Pela arte que me rodeia
Pelo meu amor que me transborda.

Estou à espera e à procura de muita luz
Ajudai-me a encontrá-la.

Amém

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

verossimilhança




De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Gostar é uma escolha

Relacionamento amoroso é realmente sempre um tiro no escuro, e nunca se sabe ao certo quais as marcas, sejam elas boas ou ruins, que ele vai deixar. Mas uma coisa é certa: você nunca sai ileso de um, nem que seja para refletir sobre alguma coisa de sua vida. É nos relacionamentos que nos enxergamos; são quase como que um espelho, mas visto de outra perspectiva, àquela a qual você nunca havia pensado a respeito. Pois é... Mas a melhor sensação que descobri recentemente após mais um término é a auto satisfação. Até então nunca havia tido essa sensação; muitas vezes me perguntava se eu havia feito a coisa certa, se não tinha vacilado aqui ou ali, e me sentia culpada pelo fim. Em relação aos outros relacionamentos eu senti, também, que eu não havia sido eu mesma, mas sim que havia me mudado pro relacionamento não acabar. A maldita insegurança dele acabar. Não que seja tudo perfeito, nunca é, mas a segurança diz pra você que sim, que você fez tudo certo e que não vacilou, e foi isso que felizmente me aconteceu dessa vez, juntamente ao "não temer o fim". A culpa ou então o "será que eu fiz a coisa certa?" são sentimentos que acompanham sempre nossa vida e aprendizagem, mas dessa vez consegui terminar o relacionamento muito bem dentro (e fora) de mim. Apesar das mágoas, não as deixei me afetarem profundamente. Sempre observei todo o meu comportamento e mesmo o comportamento do outro, tentando entender o que se passava. Também não me entreguei a algo incerto, sabendo que a outra pessoa não estava tão disposta como eu. Mas fiz tudo que estava ao meu alcance, sabendo exatamente até onde ir pra poder, caso fosse necessário, me proteger. E aí que concluí que relacionamento é uma escolha, principalmente. Pode-se até amar involuntariamente, porque os sentimentos 'acontecem', mas só alimenta o sentimento quem quer. Também não ignorei o que eu sentia; sempre levei meu coração em consideração. Dessa maneira, alcancei certo equilíbrio: posso ter gostado, mas não me jogado; pode ter doído, mas não dilacerado. E sinto que fui eu mesma 100% do tempo, sem medo.
O sentimento que mais dói e é inevitável é a desilusão, mas que sem a sua companheira, a ilusão, nenhum relacionamento começaria. E a desilusão é, decerto, o sentimento essencial para um fim.