segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vida americana

Como todos (não) sabem, estou vivendo um período da minha vida no Tennessee (EUA) e achei interessante fazer como o Olivier (http://olivierdobrasil.blogspot.com.br/2013/04/curiosidades-brasileiras.html#comment-form) e listar algumas observações que tenho feito por aqui. Faz só três meses que estou aqui, mas já deu pra notar muita coisa. Aqui vão algumas:

- Os EUA é um país muito grande e com culturas diferentes, assim como o Brasil;
- O Tennessee está dentro do "Bible belt" (expressão que ouvi de estrangeiros que vivem aqui), o que siginifica que é um estado muito ligado à religião e muito conservador;
- Você percebe descaramente a segregação de negros e brancos, diferentemente do Brasil. Eles quase nunca se misturam e tem uma cultura e língua diferente, tanto é que tenho difiiculdade em entendê-los. 
- Os americanos em geral são muito prestativos e simpáticos, principalmente quando se trata de prestação de serviço. Se você precisar de algo, eles estarão lá, assumirão as responsabilidades e resolverão o seu problema. O que eu acho fantástico e é uma pena que não seja assim no Brasil.
- Aqui em Memphis, se você falar que você bebe cerveja ou gosta de beber, as pessoas vão te olhar com um certo preconceito. A bebida aqui é vista como algo extremamente negativo porque, de acordo com os americanos, "nós não sabemos beber moderadamente".
- As danças em boates (night clubs) são as mais bizarras que já vi na minha vida. Pra mim, eles não dançam, eles se esfregam, e de um jeito extremamente "sexual". Em contrapartida, eles não se beijam em baladas. 
- Se alguém estiver interessado em você, vai provavelmente pedir o seu telefone pra depois chamar pra sair.
- Os lugares de "date" (encontro) são normalmente coffee shops, como o Starbucks. Não tem a cultura do bar como tem no Brasil (como já havia dito). 
- Aqui as comidas não tem tempero e pra ficar com gosto você tem que colocar molho em tudo.
- Pra quem tem problema de estômago (como eu), a comida daqui é a pior possível: muita fritura, molho e gordura em tudo.
- Aqui você compra um copo de bebida e pode encher quantas vezes quiser. Achei genial.
- Até hoje não vi a opção de parcelamento em compras no cartão de crédito. A minha amiga Gabriela que vive há quase um ano em Washington DC também disse que nunca viu.
- Aqui em Memphis as casas são feitas de madeira. São muitos mais fáceis, rápidas e baratas de serem construídas. Achei demais.
- As pessoas compram carros usados por uma pechincha comparado ao Brasil.
- Aqui em Memphis o transporte público é péssimo, o que faz com que todas as pessoas precisem de carro. Ouvi falar que boa parte dos Estados Unidos é assim, tirando as grandes cidades.
- As pessoas não te tocam quando te cumprimentam. O "Hi, how are you?" é sem nem mesmo dar as mãos.
- Todo lugar tem climatização artificial (ar condicionado e aquecedor) e alguns não tem janela.
- As pias da cozinha tem moedor de comida. Ao invés de jogar no lixo, você bota no moedor.
- Todas as torneiras tem água quente. 
- Já peguei muita mulher saindo do banheiro sem lavar as mãos, e em todo banheiro de algum estalecimento alimentar (restaurante, bar, etc) tem um aviso pros funcionários não se esquecerem de lavar as mãos ao usarem o banheiro.
- Tem tecnologia pra tudo que você imagina. Tudo é feito pra facilitar ao máximo sua vida.
- Aqui, falar que eu caminho 15 minutos da Universidade até minha casa é falar que ando muito por dia.
- Tem muitas pessoas obesas comparado ao Brasil.
- Pra eles, eu tenho cara de européia antes mesmo de abrir a boca, apesar de eu achar que tenho cara de americana.
- É comum as mulheres usarem pijama e maquiagem pra ir ao supermercado.
- Serviço de celular é muito barato. Aqui pago 10 dólares por mês pra ligar pra qualquer fixo internacional.


Vou atualizando quando lembrar de mais coisas...


sexta-feira, 22 de março de 2013

coração


E é nesse montarel de pensamento que às vezes escuto meu coração, já tão cansado de esperar e de sofrer por tantos amores perdidos e lágrimas à toa. Não é fácil ouvi-lo; a razão quase sempre falou mais alto. Ainda sim, devido a ela, neste momento decido esperar o tempo certo, esperar para me reconciliar e saber que há coisas que guardamos para nós mesmos, memórias. Mas juro que tento escutar, e ele não só fala, como grita, talvez há algum tempo desde que eu pude perceber que poderia amar de novo. Mas eu espero, como quem ferve a água mas não deixa ela transbordar; afinal, a vida não deve ser se jogar, se arriscar e ter certeza de tudo antes de pensar. A vida é incerteza, o amor também.

domingo, 10 de março de 2013

eu era feliz e sempre soube



O mundo moderno construiu uma fórmula para alcançarmos a felicidade. Se você tiver alguém para amar (e for correspondido), tiver um emprego que lhe garanta um bom dinheiro por mês, e se você viajar para o exterior todos os anos e possuir bastantes fotos com amigos nas redes sociais, você é uma pessoa feliz. E aí que o mundo tem mesmo razão porque eu provavelmente seria muito feliz com tudo isso. Mas procurei buscar em outras coisas que hoje se tornaram preciosas pra mim.
Acho que, apesar de saber que uma parte da minha felicidade está ancorada em principalmente achar um bom parceiro o qual passarei o resto da minha vida, e um emprego que me preencha, sei que tenho muitas outras felicidades que fazem falta no meu atual contexto. Ou então que foram descobertas atualmente. Estar longe de meu país tão querido e de pessoas tão amadas, e perdendo certos prazeres que eu tinha por lá, pude refletir sobre tudo isso.
Vou fazer uma lista deles aqui:


1 - Comer bem. E como isso faz a minha vida tão, mas tão mais feliz! Eu admito ficar de mau humor às vezes quando me pego comendo mal... E comer mal pra mim significa comer porcaria, no sentido mais amplo do fast food da coisa. Comer bem seria aquela comida gostosa incluindo arroz, feijão, uma carninha e uma salada, sempre bem temperados com alho e sal, e azeite. Comida japonesa estaria também inclusa, definitivamente. Pizza de São Paulo também (porque as daqui são horrorosas. Imagine que no país não existe requeijão e, consequentemente, catupiry...).

Agora: a comida norte-americana é ruim demais. Eles não sabem temperar nada e colocam molho barbecue e pimenta em tudo. Muita fritura e refrigerante. Passo mal só de pensar.


2 - Caminhar (a pé, é lógico). Taí um dos prazeres que descobri logo nos primeiros anos da faculdade. Afinal, andar só de carro ou de ônibus é um saco, apesar de não termos escolha muitas vezes. Mas admito que gosto de ser pedestre boa parte do tempo, e isso faz a minha vida mais feliz.

Agora: aqui nos Estados Unidos é bom andar a pé porque a paisagem é linda! E é menos perigoso que no Brasil em relação a assaltos. Mas o clima não ajuda. Ou tá muito frio, ou chovendo, ou um calor de 45 graus Celsius. Aí admito que às vezes dá preguiça...


3 - Cuidar do meu próprio nariz é o maior de todos os prazeres. Acho fantástico você poder fazer o que quiser na hora que quiser, e ser responsável por si mesma o tempo todo. Às vezes é angustiante porque não é fácil viver por si só, mas é a sensação mais enriquecedora que já vivi em toda a minha vida.

Agora: voltar a morar com os pais é realmente algo conflituoso. Ainda mais depois de 4 anos morando sozinha. 


4 - Dividir quarto. apesar de ter seu próprio quarto parecer ser uma boa escolha, eu sinto falta de ter alguém pra conversar antes de dormir. Me sentia mais feliz e segura divindo quarto.


5 - Se vestir bem. não tem coisa mais gostosa do que se sentir bonita(o), e isso faz parte do meu dia-a-dia. Há pouco tempo descobri a maquiagem e como usá-la melhor, mas até então eu só sabia passar um rímel de vez em quando. Roupas bonitas também estão entre meus prazeres. 

Agora: as mulheres norte-americanas tem um estilo muito diferente do brasileiro. Elas usam maquiagem super "pesada" e ao mesmo tempo usam moletom que eu usaria só na minha casa.... vai entender.


Provavelmente ainda me lembrarei de mais prazeres e pretendo postá-los aqui. Au revoir!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

atrasada


Estou para escrever este post há milênios e parece que, neste tempo de ócio improdutivo, eu não conseguia escrever, alinhar, transformar em texto estes pensamentos e sentimentos presos na minha garganta, ou no meu cérebro, mais precisamente no córtex, onde se produz a linguagem e os pensamentos. Afinal, escrever é tornar o pensamento, através do sistema linguístico, em uma lógica onde há um começo, um meio, um fim, e tudo que eu menos tinha por esses tempos era a capacidade, ou melhor, o êxito em transformar meus sentimentos em palavras, ou mais precisamente, em palavras que pudessem formar sentenças ou períodos que se completassem semanticamente.
Mas cá estou, relutando em escrever algo bom. Afinal, eu preciso me ouvir (no caso, me ler) para conseguir me entender, e o blog é um espaço para isso. E a verdade é: cada dia, para mim, tem sido uma luta entre entender o que eu quero, o que eu possuo e o que eu faço.Viver nunca me pareceu um complexo de tantas emoções juntas que se transformam na atual e principal delas: a fragilidade.
Há duas semanas atrás, posso me dizer que me sentia tão segura e preparada, tão forte e tão feliz. Agora, me vejo quase como em um labirinto sem saída, destes que a vida traz para nós de vez em quando. Acho que não me sinto insegura, mas sim me sinto frágil. Não frágil de fraca, mas frágil por não estar convicta e feliz com o que tenho, de não estar devidamente satisfeita e por perceber que a vida é muito mais forte do que acreditava que ela fosse. Mesmo tentando, eu ainda não encontrei sentido nem felicidade onde atualmente estou. Penso em voltar, mas seria crueldade com minha própria coragem, ou seja, seria covardia não tentar mais um pouco.
Sobre o amor, eu já nem mais o que pensar sobre ele. Acredito estar onde estou por causa dele. Mas também sinto-me em outro patamar, em outra realidade, sinto-me outra pessoa, e esta fragilidade me impede de querer muitas coisas.

Tudo o que peço é que eu me faça, ou então, já não sei mais, "façam-me" viver novamente.

domingo, 2 de dezembro de 2012

ironia

Uma vez um amigo meu discutiu comigo algumas questões sobre futuro, expectativa, desejo. Ele me disse que detestava o Brasil e que, se seu pai fosse algum dia trabalhar nos EUA, ele com certeza iria junto.
Eu disse a ele que não tinha esse anseio pois não dava pra esperar algo de tamanha magnitude. Estou estudando para servir ao meu país e o mais sensato a fazer era ficar por aqui e trabalhar em prol da educação brasileira. Um desejo palpável.

Ironicamente, o pai do meu colega faleceu e o meu vai estudar nos EUA.

e nessas horas eu engulo seco.

sábado, 17 de novembro de 2012

Oração



Nossas Senhoras da Luz certeira,
Proteja todo e qualquer passo que hei de dar

Livrai-me de todo e qualquer mal,
Livrai-me de mim, da minha angústia
Do meu medo
Da minha falta de esperança.
Livrai-me, também, dos falsos amores;
Mais ainda dos amores antigos;
Estes não podem nem devem interferir no meu progresso.

Dai-me condições físicas e mentais pra me esforçar
Pra crescer, trabalhar, ganhar meu pão
Ajudai meus pais neste novo caminho que irão seguir
E me ancorai a principalmente achar o meu, Nossa Senhora

Agradeço pelo pão de todo dia
Pelo amor recebido
Pelas condições financeiras necessárias.
Agradeço pela saúde que me sobra
Pela arte que me rodeia
Pelo meu amor que me transborda.

Estou à espera e à procura de muita luz
Ajudai-me a encontrá-la.

Amém

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

verossimilhança




De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim.